Golpe repercute na Câmara e na AL
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terça-feira, 01 de abril de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Em discurso emocionado, a vereadora Elza Correia (PMDB) lembrou ontem dos 50 anos da implantação da ditadura militar. Em sua fala, ressaltou como o regime ditatorial afetou todo o País e os reflexos que teve em sua família. O discurso foi parabenizado por outros parlamentares e apenas Lenir de Assis (PT) também fez referência aos anos de chumbo durante o Grande Expediente período da sessão destinado aos vereadores tratarem de temas que considerarem pertinentes.
Ao iniciar o discurso, Elza justificou que "alguns assuntos não envelhecem e é necessário fazer uma reflexão cotidiana sobre eles". "É preciso que a gente relembre que é de alto interesse para o Brasil", afirmou. A vereadora se emocionou ao citar que, quando a atual geração critica a política, quando as pessoas vão às ruas, só podem fazê-lo porque outros lutaram contra o regime. Lembrou que a perseguição a quem se opunha era cruel e, muitas vezes, custava a vida.
A família da vereadora foi diretamente afetada: seu pai foi preso 17 vezes e morreu por sequelas das prisões. "O crime dele foi sonhar com um Brasil mais justo e igualitário." Ela recorda que teve de mudar de escola várias vezes e até fugir na calada da noite e que isso ocorria, às vezes, até mesmo com quem não lutava contra o regime.
Lenir lembrou que vem de uma geração que passou pouco tempo sob uma ditadura, mas reforçou que isso só foi possível porque a geração anterior lutou contra o governo. "A ditadura cometeu crimes inafiançáveis de censura, de tortura", afirmou.
ASSEMBLEIA
Os 50 anos do golpe também foram lembrados durante a sessão de ontem na Assembleia Legislativa do Paraná. O presidente estadual do PT, Enio Verri, disse que, ainda hoje, a sociedade sofre as consequências daquele período na cultura, no debate e na maneira de enxergar o que é melhor para o País. "A marca não está só nos torturados e expulsos, que morreram longe da nossa pátria, ou nos pais e mães que viram seus filhos serem enterrados. Está na fragilidade do movimento estudantil e das lutas sociais, está no quanto poderíamos estar hoje mais desenvolvidos, o quanto poderíamos ser mais ricos e um País muito mais justo", afirmou. (Colaborou Mariana Franco Ramos)


