GOLPE NA VENEZUELA
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Das Agências 
Caracas O presidente interino da Venezuela, Pedro Carmona, 60 anos, tomou posse ontem no Palácio de Miraflores, em Caracas, após a saída de Hugo Chávez do poder. De acordo com o jornal El Universal, como primeira medida, Carmona decretou a suspensão da Assembléia Nacional, representate do poder legislativo no país, e dominada pelos partidários de Chávez, que ocupam 123 das 131 cadeiras. Carmona também anunciou que as novas eleições legislativas acontecem em dezembro e as presidenciais, em um ano. O novo presidente não poderá se candidatar ao cargo.
O autoproclamado novo presidente venezuelano anunciou à noite os membros de seu gabinete e as 25 pessoas que formam um conselho de Estado. Os militares apoiados por amplos setores da sociedade civil afirmaram que Chávez, detido em quartel, teria renunciado. Mas seus partidários e parentes contestaram a versão de renúncia.
O procurador-geral da República, Isaías Rodriguez, afirmou, antes de ser destituído, que Chávez ainda seria o presidente porque o Congresso precisaria aceitar sua renúncia. A filha de Chávez disse que ele não renunciou.
Chávez teria deixado o cargo na madrugada de ontem sob pressão militar e após uma grave crise política e social. Anteontem, em uma manifestação contrária à Chávez, pelo menos 15 pessoas foram mortas a maioria vítima de disparos de policiais.
Buscas Membros das forças de segurança venezuelanas realizaram buscas em várias regiões de Caracas atrás de simpatizantes do presidente deposto. Segundo o governo interino, a ação visava impedir uma resistência armada ao golpe e também deter suspeitos de disparar contra a manifestação anti-Chávez de anteontem em Caracas, que acabou com ao menos 15 mortos.
Opositores do presidente deposto disseram temer que grupos armados pró-Chávez pudessem tentar matá-los.
Quartéis Os militares, com os quais o coronel da reserva Hugo Chávez contava para tentar se sustentar no poder, mesmo com a brutal perda de apoio popular verificada ao longo dos últimos meses, acabaram se tornando o principal fator que possibilitou sua queda, na madrugada de hoje.
A insatisfação nos quartéis já era pública desde o início do ano, quando começaram a aparecer os primeiros casos de oficiais que se rebelaram publicamente contra o presidente, e ficou latente a partir da tarde de ontem, quando oficiais das mais altas patentes passaram a apoiar a rebelião.Hugo Chávez é deposto pelos militares após conflitos em Caracas, que causaram a morte de pelos 15 pessoas. Governo de transição foi empossado ontem mesmo e tem à frente o empresário Pedro Carmona, um dos líderes da greve geral que parou o país e das manifestações contra o presidente deposto. Carmona suspendeu a Assembléia Nacional e o Supremo Tribunal de Justiça


