Goioerê: prefeito quer demitir 87 funcionários em greve
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
O prefeito de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), Vicente Okamoto (PSDB), vai esperar a conclusão de uma sindicância para demitir os 87 servidores que estão em greve desde o dia 22 de setembro. A sindicância foi criada através de uma portaria, depois que a prefeitura deu prazo de 72 horas para que 117 funcionários paralisados retornassem ao trabalho. Apenas 30, no entanto, abandonaram o movimento grevista.
Com a sindicância, todos os grevistas foram oficialmente afastados e vão ficar sem salário durante o afastamento. A princípio, os membros da sindicância têm 30 dias para terminar os trabalhos, mas é provável que o prazo tenha que ser ampliado. É que nesse período todos os grevistas afastados terão que prestar depoimento. A prefeitura também já comunicou ao Sindicato dos Servidores que vai descontar todos os dias parados antes da abertura da sindicância.
Os servidores de Goioerê estão com três meses de salários atrasados, mas a prefeitura alega que a greve é ilegal porque não obedeceu algumas normas obrigatórias. Teria faltado, por exemplo, uma comunicação oficial do movimento com 72 horas de antecedência. Para a prefeitura não existe greve, existe falta injustificada ao trabalho, explica um assessor do prefeito.
Há 15 dias, quando Okamoto anunciou a ameaça de demissão através de um edital de convocação, o Sindicato dos Servidores Municipais orientou os grevistas a retornarem ao trabalho, mas mantendo os braços cruzados. Agora, com a ameaça de demissão através da sindicância, o presidente do Sindicato, Paulo Mendes, anuncia um mandado de segurança contra a medida da prefeitura. Não existe greve ilegal se não há pagamento, justifica.


