Goioerê e Foz demitem juntas 236
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quarta-feira, 30 de dezembro de 1998
Edna Mendes e Sid Sauer 
O prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), iniciou anteontem, a reforma administrativa na prefeitura e demitiu 118 funcionários que ocupavam cargos comissionados. A reforma, que prevê a exoneração de 450 servidores, foi aprovada na semana passada pela Câmara de Vereadores.
Com isso, são 121 os demitidos, já que o secretário de Planejamento, Elsídio Cavalcanti e outros dois funcionários da secretaria haviam sido exonerados. A previsão é de que a reforma administrativa seja concluída em 90 dias.
A folha de pagamento da prefeitura consome R$ 4,5 milhões dos R$ 8 milhões arrecadados mensalmente. Com as demissões dos 450 funcionários, a estimativa é de que a prefeitura faça uma economia de R$ 1,2 milhão.
Daijó assinou os decretos das demissões no dia 22. Os nomes dos demitidos constam na edição extraordinária do Órgão Oficial do Município que circulou anteontem. A maior parte dos exonerados, 58 pessoas, pertence a Secretaria Municipal de Saúde.
Em Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) também foram demitidos durante o feriado prolongado de Natal 118 funcionários, o que representa cerca de 21% do total de servidores. Todos os demitidos foram contratados num concurso público realizado em fevereiro de 1995 que foi considerado irregular. Os decretos com as demissões foram assinados pelo prefeito Vicente Okamoto (PSDB) no dia 23, mas só foram publicados no dia 25.
Esse foi o presente que os servidores de Goioerê ganharam no Natal, protestou o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Paulo Mendes da Silva. Ele disse que vai entrar com uma ação na Justiça contra a anulação. Silva alega que as supostas irregularidades foram apenas em alguns casos e que funcionários contratados legalmente não podem ser punidos. É preciso separar o joio do trigo, disse.
Uma das irregularidades do concurso foi a reserva de 10% das vagas para candidatos que já estavam trabalhando na prefeitura, o que é considerado ilegal.
A situação na prefeitura de Goioerê é crítica. Os servidores acumulam oito meses de salários atrasados. O 13º salário deste ano só foi pago, até agora, para quem ganha até R$ 500,00. Goioerê é a segunda prefeitura da região a conseguir, este ano, a demissão de servidores através da anulação de concurso. A primeira foi Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão), que demitiu 117 funcionários (25% do total) em novembro. Vários municípios do interior do Estado analisam a possibilidade de demissões para superar crise financeira.


