Gionédis vai explicar caso Banestado
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quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, vai receber na próxima semana, em seu gabinete, os líderes da Assembléia para explicar como se deram as operações de saneamento do Banestado. A reunião foi acertada ontem, depois que o bloco de oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) conseguiu aprovar requerimento do deputado de oposição José Maria Ferreira (PSDB) pedindo informações e cópias de documentos usados na operação. A reunião é o gancho que a oposição precisava para explorar ainda mais o escândalo da Banestado Leasing, cujas operações fazem parte do processo de privatização do banco.
A Assembléia, e principalmente os deputados de oposição estão atentos. Se o secretário nos repassar as verdadeiras informações de que precisamos, podemos encerrar nossos questionamentos. Caso contrário, continuaremos insistindo para que a verdade venha à tona, disse José Maria.
Os deputados de oposição pretendem que Gionédis o secretário também é presidente do Conselho de Administração do Banestado apresente esclarecimentos sobre os termos que culminaram no empréstimo de R$ 5,1 bilhões para o saneamento do banco estatal; informações sobre a existência ou não de outros empréstimos para o mesmo fim; sobre a operacionalização administrativa dos títulos públicos que foram usados no saneamento; e qual a destinação do controle administrativo da extinta carteira de fomento do Banestado.
Gionédis já esteve na Assembléia por duas vezes (no dia 18 de novembro e no dia 22 de março) para explicar como se deram as operações de saneamento do banco estatal. Ontem a Folha tentou falar com o secretário, mas ele não foi encontrado. Sua assessoria de imprensa informou que ele o líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), estão estudando as diretrizes da reunião. Fazemos questão de deixar transparente esta questão, afirmou Rossoni.
José Maria vai tentar, agora, que a reunião aconteça depois da próxima terça-feira, quando ele irá receber do Ministério Público do Paraná as cópias dos documentos que culminaram com as ações penal e civil contra ex-funcionários da Leasing e os empresários de Sergipe que realizaram contratos ilegais com a anuência do ex-diretor Osvaldo Magalhães dos Santos, que morreu em 1998.
Na opinião do deputado, o escândalo da empresa do Conglomerado Banestado precisa virar notícia nacional. Fabricaram dois TRTs de São Paulo, dois Lalaus no Paraná e ninguém fala nada, criticou José Maria, comparando o valor desviado para a construção do Fórum Trabalhista na capital paulista com os R$ 344 milhões usados no ano passado para quitar dívidas da Leasing com o próprio Banestado.
No começo da semana, José Maria dizia que tem indícios de que a Secretaria da Fazenda estaria refinanciando os créditos de difícil liquidação, tanto da extinta carteira de fomento do Banestado quanto da Banestado Leasing. O deputado afirmou que recebeu informações de que o governo estaria assumindo micos de até 90% dos valores devidos por empresários que fizeram contratos com as duas instituições. A partir do momento em que o escândalo voltou à mídia, passamos a receber muitas informações de irregularidades cometidas no Banestado e na Leasing dos próprios funcionários das empresas.


