Gionédis terá de explicar déficit do PR
Leandro Donatti
De Curitiba
O secretário da Fazenda do Paraná, Giovani Gionédis, vai ter de detalhar o déficit financeiro do Paraná na Assembléia Legislativa. A convocação foi aprovada ontem à tarde pelos deputados, a pedido da oposição. Supreendentemente, toda a bancada governista respaldou a convocação. Os deputados trataram da crise financeira um dia antes, em reunião com o governador Jaime Lerner (PFL), no Palácio Iguaçu. A ida de Gionédis ao plenário ainda não tem data definida. O líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni (PTB), ficou de acertar a sabatina com o secretário, provavelmente na semana que vem. Gionédis aceitou o convite e disse que vai com todo o prazer ao plenário.
Na sabatina, a oposição vai explorar o déficit do Estado e a projeção de uma dívida que pode chegar a curto prazo a R$ 12,6 bilhões. O líder do PMDB, deputado Orlando Pessuti, disse que o Paraná acumula um prejuízo de R$ 1,8 bilhão somente nos primeiros seis meses deste ano, 78% do que foi registrado em todo o exercício de 98. O déficit do ano passado fechou em R$ 2,3 bilhões, observou. O pronunciamento de Pessuti tomou como base os balancetes publicados pelo governo em Diário Oficial, no último dia 6. De acordo com a interpretação da oposição, o Paraná registrou R$ 7,1 bilhões em despesas e R$ 5,3 bilhões em receitas. A diferença entre as receitas e as despesas dá o déficit de R$ 1,8 bilhão.
O secretário da Fazenda contestou os números ontem. Giovani Gionédis disse à Folha que não se pode projetar um déficit enquanto o exercício financeiro não estiver concluído. O secretário disse que esse cálculo só poderá ser feito no final do ano. Por enquanto, o déficit do Paraná é de R$ 2,3 bilhões, assinalou. Gionédis disse que, nesse cálculo, está incluído um precatório, avaliado em R$ 2 bilhões, devido desde a década de 70 pelo Paraná à empreiteira C.R. Almeida, pela construção da Ferrovia Central do Paraná. A oposição está tomando Gardenal vencido. Estão querendo achar chifres. Só pode ser uma hemorróida atacada do PMDB. Coisa de idiota, reagiu o secretário da Fazenda.
Gionédis embarcou ontem para Brasília. Ele e o secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, voltam à carga em torno da antecipação dos royalties de Itaipu, a fórmula encontrada pelo Palácio Iguaçu para tirar o Paraná do vermelho em um prazo médio de 60 dias, como tem estimado o governador.
Para se chegar à dívida de R$ 12,6 bilhões, o PMDB incluiu nas contas o socorro de R$ 4,6 bilhões autorizados pelo Banco Central e projetou ainda R$ 2 bilhões que podem ser financiados pelo governo para a capitalização do Fundo de Previdência dos servidores. A dívida do Paraná é de R$ 6,1 bilhões cravados, sem Banestado e novos financiamentos, calculou Pessuti.
Gionédis alegou que o cálculo não procede. E que o PMDB está incorrendo em erro ao incluir como débitos os R$ 3,3 bilhões de aumento de capital do Banestado - exigência para a privatização - e outro R$ 1,5 bilhão, referente ao mico pela compra dos títulos públicos podres dos Estados de Alagoas e Santa Catarina. Isso é uma outra coisa que não pode ser somada assim, simplesmente, observou o secretário da Fazenda. O governo do Paraná tem o dever de explicar essa parafernália de números, devolveu o líder do PMDB, Orlando Pessuti.Secretário da Fazenda é convocado pela Assembléia para detalhar rombo no caixa do Estado. Oposição diz que chega a R$ 12,6 bilhões
Arquivo FolhaATAQUEGionédis: A oposição está tomando Gardenal vencido. Só pode ser uma hemorróida atacada do PMDBArquivo FolhaDÚVIDASPessuti: O governo do Paraná tem o dever de explicar esta parafernália de números





