Gionédis quer pressa na privatização
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Leandro Donatti 
A Assembléia Legislativa começa a analisar hoje, em regime de urgência, mensagem do poder Executivo que prevê a privatização do Banestado num prazo de um ano. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, esteve ontem em plenário prestando esclarecimentos sobre a matéria, que deve estar encerrada até quinta-feira, conforme estimou o presidente da Casa, Aníbal Khury. Segundo Gionédis, se os deputados não derem carta branca para o governo do Estado negociar acordo financeiro com o Banco Central até o dia 30, o Banestado sofrerá intervenção ou será liquidado imediatamente pelo governo federal.
Observado a distância por dezenas de manifestantes ligados à associação de funcionários do Banestado e à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que lotaram as galerias da Assembléia para protestar contra a privatização, Gionédis defendeu o saneamento do Banco e sua entrega à iniciativa privada. O secretário afirmou que o déficit de R$ 4,1 bilhões, detectado por técnicos da Fazenda e do BC, tende a se agravar se o governo federal não iniciar a injeção de recursos, calculados em R$ 3,7 bilhões. Estamos fazendo operações interbancárias (espécie de socorro financeiro) na ordem de R$ 900 milhões ao dia, revelou.
Questionado pelos deputados de oposição sobre a origem dos débitos do banco, o secretário da Fazenda não quis personalizar. Não é culpa do governo anterior ou deste governo. O que posso dizer é que a nossa proposta é a melhor solução para o Banestado hoje, discursou. Ele citou o alto custo operacional, ingerência política e mau funcionamento da máquina como os principais motivos para a atual situação do banco. O secretário voltou a informar que medidas administrativas - preparatórias à privatização - serão tomadas nos próximos dias. Falou novamente em um organograma mais ágil e adiantou que agências que não tiverem depósitos mensais superiores a R$ 4 mil serão fechadas. Entraremos em contato com as prefeituras, que nos cederão espaço para o funcionamento de pelo menos um posto do Banestado. Nenhuma cidade ficará sem o banco, assegurou.
O eixo principal dos questionamentos da oposição foi o crescimento do rombo do Banestado de R$ 1,8 bilhão, em novembro de 97, para R$ 4,1 bilhões. Respaldado por diretores técnicos do banco e pelo secretário do Planejamento, Miguel Salomão, o secretário da Fazenda apresentou lista dos itens que teriam engordado a dívida (leia mais nesta página). O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, não acompanhou o secretário na sabatina. Neco Garcia abriu polêmica com os deputados há cerca de três meses, quando os responsabilizou em parte pela inadimplência do banco. Na lista dos devedores, revelada ontem por Gionédis, figuram apenas as empresas que foram acionadas judicialmente. Apenas as empresas da família do deputado federal Dilceu Sperafico (PPB) aparecem na relação, o que serviu de alívio para boa parte dos deputados estaduais.
Principal adversário do governo Jaime Lerner na polêmica em torno da privatização, Ângelo Vanhoni, do PT, acusou o governo de maquiar o rombo do Banestado em pelo menos R$ 1 bilhão. Eles querem mais dinheiro para colocar as contas em ordem, observou. O deputado petista teve o cuidado de não vincular a suposta maquiagem à eleição de outubro. Seria leviano acusar sem provas, ressalvou. Para Vanhoni, o governo colocou nas costas do Banestado dívidas suas, que não poderiam ser somadas no bolo de passivos que serão apresentados ao Banco Central. Vamos continuar pedindo uma auditoria, reforçou.


