Curitiba - O ex-secretário de Estado da Fazenda Giovani Gionédis ficou à vontade ontem na CPI do Banestado, instalada pela Assembléia Legislativa. Os deputados que integram a comissão não criaram constrangimento algum ao ex-secretário do governo Jaime Lerner (PFL) que foi peça-chave no processo de privatização do banco, em outubro de 2000. O que prometia ser um depoimento bombástico, acabou virando uma sessão morna, de perguntas e respostas.
O abandono do tom agressivo que movia os parlamentares até então começou quando a CPI decidiu indicar outro deputado para fazer os questionamentos a Gionédis. Em vez do relator da CPI, Mário Sérgio Bradock (PMDB), que comandou as perguntas nas sessões anteriores e com quem Gionédis inclusive bateu boca, quem fez as perguntas foi o deputado Airton Araújo (PTB). A CPI já havia convocado o ex-secretário quatro vezes. Ontem, Gionédis estava obrigado a comparecer por força de uma ordem judicial, expedida pelo juiz federal, Sérgio Moro, da 2 Vara Criminal Federal de Curitiba, a pedido dos parlamentares.
Sem citar nomes, o ex-secretário confirmou o uso político do Banestado, mas fez questão de ressaltar que a prática de emprestar dinheiro, sem apresentação de garantias mínimas, já existia antes do governo Lerner. ''O banco foi usado ao longo de vários anos para fazer empréstimos particulares que nenhum banco particular concederia'', disse Gionédis.
Sobre o preço mínimo definido para a venda do banco, Gionédis afirmou que o valor foi baseado em uma avaliação patrimonial feita pelo próprio Banestado em 1997. Ou seja, os valores tiveram como referência dados do balanço financeiro do banco e não de mercado. Como exemplo de avaliação suspeita, Araújo citou o caso de um imóvel pertencente ao banco que teria sido avaliado por R$ 2,3 mil pelo banco CCF Brasil e por R$ 35 mil, pelo Banco Fator. ''Essa é uma discrepância boba em relação ao valor de R$ 1,6 bilhão que o banco foi vendido'', respondeu Gionédis.
Apesar do questionário amigável, os parlamentares consideraram positivo o resultado do depoimento. Em uma de suas respostas, Gionédis admitiu que o Banestado poderia ser saneado por R$ 900 milhões, na época em que Lerner assumiu o cargo, em janeiro de 1995, quando elegeu-se governador pela primeira vez. ''Então por que o governo emprestou R$ 5,6 bilhões para sanear o banco, gerando um dívida de mais de R$ 10 bilhões para o Estado?'', questionou o presidente da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT). A pergunta pertinente, no entanto, veio após o depoimento ter sido encerrado. Ficou sem resposta.

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