Gionédis falta de novo e CPI cogita chamar Lerner
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Como já era esperado, o ex-secretário de Estado da Fazenda durante o governo Jaime Lerner (PSB) Giovani Gionédis não atendeu ontem à quarta convocação feita pela CPI do Banestado para prestar depoimento sobre sua atuação na privatização do banco. Os parlamentares defenderam a reconvocação do ex-secretário, desta vez através da Justiça, como já haviam sinalizado na semana passada. Optaram por adiar a data do depoimento, inicialmente prevista para hoje, para a próxima terça-feira, dia 11. Coincidentemente ou não, após aprovarem a data do depoimento, o advogado de Gionédis entrou no plenarinho da Assembléia Legislativa para entregar um requerimento aos deputados. No requerimento, Gionédis se dispõe a falar entre os dias 11 e 13 deste mês.
A convocação via judicial, se levada a cabo, será solicitada ao juiz Sérgio Moro, da 2 Vara Criminal, responsável pelos crimes do sistema financeiro do Paraná. A CPI defende a condução coercitiva do ex-secretário, ou seja, que ele seja acompanhado por policiais para o depoimento. Caso a Justiça não consiga oficializar Gionédis pessoalmente ou o ex-secretário volte atrás e não fale entre os dias 11 e 13, como propôs seu advogado, o relator da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), já sugeriu aos deputados da comissão que o ex-governador Jaime Lerner (PSB) seja convocado no lugar de Gionédis.
Desde o dia 20, quando Gionédis foi convocado pela segunda vez e não compareceu, o presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), vem reafirmando a intenção de solicitar intervenção judicial para garantir sua presença. Gionédis chegou a ir à CPI no dia 21, mas, irritado com o tom de questionamento dos deputados, saiu sem depor. No dia 29, Gionédis também não atendeu à terceira convocação. O problema é que a CPI não está conseguindo entregar a comunicação pessoalmente a Gionédis. A convocação para a sessão de ontem, por exemplo, foi assinada pela empregada da casa do ex-secretário.
O mesmo requerimento entregue pelo advogado de Gionédis explica a ausência do ex-vice-presidente do Banestado José Evangelista de Souza, que solicitou à CPI liberação dos depoimentos até o dia 7 de novembro, por motivo de viagem. Ficou acertado, ontem, que Souza será chamado a depor também na próxima terça-feira. Tanto Gionédis quanto Souza serão questionados sobre seus trabalhos na Comissão de Coordenação e Avaliação da venda do banco, que era presidida por Gionédis.
Enquanto os deputados aguardavam a chegada de Gionédis, marcada para as 10 horas, o perito judicial Zung Che Yee, contratado pela CPI para avaliar a documentação e depoimentos sobre a privatização, fez um relato sobre seus trabalhos. Ele afirmou que foram encontradas diversas irregularidades, a começar pela formatação do edital de licitação, que definiu os parâmetros para definição dos valores de venda do banco. ''A formatação deixou diversos furos que permitiam que as empresas que participaram da licitação fizessem o processo como bem entendesem'', disse.


