O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, alegou ontem não ter entendido a justificativa do ex-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, que declarou estar saindo do governo para deixar o governador Jaime Lerner (PFL) livre para uma mudança geral no secretariado. ‘‘Não concordo com a tese de que temos de pedir demissão. O direito de mudar, enxugar e fazer reformas é do governador e não nosso’’, comentou. Gionédis afirmou que não pensa em seguir o exemplo do chefe da Casa Civil, mas ressaltou que seu cargo está à disposição caso Lerner queira demiti-lo.
Tido como um dos influentes secretários de Lerner, Gionédis considera que o governador tem a total liberdade para promover mudanças a hora que bem entender, não precisando receber recados ou empurrões de ninguém para tomar uma atitude. Para o secretário da Fazenda, o governador tem se mostrado muito tranquilo e seguro com a equipe, por isso não cogitaria mudanças. Prova disso teria sido a decisão de vender o Banestado em meio a um processo eleitoral, que poderia trazer desgaste ao candidato à reeleição Cassio Taniguchi (PFL). ‘‘Foi um ato de coragem vender o Banestado. O governador demonstrou firmeza em relação à eleição e à sua equipe’’, disse.
Gionédis foi o secretário responsável pela condução da venda do banco, ocorrida em 17 do mês passado. Na época, Alceni Guerra deu uma cartada para tentar mudar a data do leilão. Mas a operação foi abortada por Gionédis.
O secretário não aceita a hipótese de que Lerner tenha saído derrotado e desgastado do processo eleitoral, situação que teria motivado a reformulação do secretariado. ‘‘A vitória não foi apertada como dizem. Sempre tivemos índices como o que conseguimos nesta eleição’’, opinou.
Gionédis vai mais longe e sinaliza que não acha necessária nenhuma mudança nos secretários. ‘‘Não se faz reforma de secretariado. Se faz reforma de conceitos’’, disse. Ao repetir que considerou ‘‘estranha’’ e ‘‘surpreendente’’ a atitude de Alceni, o secretário lembrou que se Lerner quisesse mesmo mudar seus secretários, não teria reconduzido ao cargos David Campos (Comunicação) e Gerson Guelmann (Chefia de Gabinete).