Gionédis culpa antecessores por dívida
Leandro Donatti
De Curitiba
O secretário da Fazenda do Paraná, Giovani Gionédis, culpou os governos anteriores ao primeiro mandato do governador Jaime Lerner (PFL) pelo endividamento do Paraná. Gionédis disse que a gestão Lerner é responsável por R$ 2,2 bilhões dos R$ 9,1 bilhões, contabilizados em junho passado pelo Banco Central como sendo a dívida pública do Estado. Os outros R$ 6,8 bilhões correspondem a dívidas originadas em governos anteriores, declarou ontem o secretário durante sabatina na Assembléia Legislativa. Cercado por um séquito de secretários e assessores, Gionédis apresentou um relatório contendo financiamentos feitos pelos governos Ney Braga, Leon Pérez, Hosken de Novaes, José Richa, João Elísio Ferraz de Campos, Alvaro Dias, Roberto Requião e Mário Pereira.
Gionédis foi convocado pela mesa executiva da Assembléia para explicar o endividamento, a pedido da oposição. Ele falou das 10h15 às 14 horas ininterruptamente sobre o assunto. O secretário disse que o governo Lerner teve de desembolsar R$ 1,8 bilhão dos cofres públicos para pagar os juros e correções das dívidas interna e externa, entre 95 e agosto deste ano. E que da dívida total, 30,8% (ou seja R$ 2,8 bilhões) correspondem a empréstimos para sanear o Banestado de operações realizadas em governos anteriores. Gionédis apontou como agravante do processo de endividamento estadual um precatório de aproximadamente R$ 2,5 bilhões devido à empreiteira C.R. Almeida, por conta das obras da Estrada de Ferro Central do Paraná.
O secretário admitiu que o governo Lerner responde hoje por uma dívida de R$ 300 milhões com fornecedores, empreiteiras e convênios pendentes com as prefeituras do interior, cujo pagamento está suspenso por determinação do governador para cumprir as metas do ajuste fiscal. Gionédis revelou ainda que o governo teve de se socorrer a operações de antecipação do ICMS. Ao todo, foram R$ 200 milhões. Já quitamos R$ 170 milhões. Os outros R$ 30 milhões pretendemos pagar ainda em novembro, assegurou. Questionado pela oposição, o secretário contou ainda que a venda das ações da Copel e Sanepar já renderam R$ 1,4 bilhão e R$ 244 milhões, respectivamente, desde 96, quando se iniciou a comercialização dos papéis.
Além de operações financeiras realizadas em administrações anteriores a de Lerner, Gionédis disse que o momento econômico vivido em 94 propiciou o aumento da dívida. A inflação, na época, permitiu um ganho de 12 folhas de pessoal. Mas essa situação mudou muito em 95, observou. O secretário disse que os balanços financeiros de 91 a 94 sinalizavam problemas. Em 91, o déficit foi de 3,42%; em 92, de 6,3%; em 93, de 11,04%; e em 94, de 8,85%, ponderou. Gionédis fez questão de ressaltar que nos R$ 9,1 bilhões de dívida, observados em junho, estão incluídos as pendências com precatórios (créditos garantidos por decisão judicial). A dívida flutuante, que engloba os precatórios, foi fechada em R$ 3,3 bilhões.
O mico hoje avaliado em R$ 590 milhões, caucionado com ações da Copel e originado com a compra de títulos podres de Alagoas e Santa Catarina e das cidades paulistas de Osasco e Guarulhos, pelo governo Lerner, também foi abordado pelo secretário. Gionédis disse ainda que a Lei Kandir e o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), instituídos pelo governo federal, também ajudaram a comprometer as finanças.





