Gionédis bate-boca com deputados e abandona CPI
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terça-feira, 21 de outubro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-secretário de Estado da Fazenda Giovani Gionédis deixou a CPI do Banestado ontem de manhã sem depor e disparando acusações contra o relator da comissão, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB). Gionédis, a principal testemunha do dia por causa do cargo ele foi um dos articuladores do saneamento e privatização do Banestado , disse que assessores de Bradock estariam comercializando ''títulos do município''.
Gionédis acusou ainda os deputados de não estarem questionando os depoentes, como deveria ser o papel de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas de estarem acusando antecipadamente as testemunhas. Em entrevista à Folha por telefone no final da tarde, mais calmo, Gionédis disse que não daria mais detalhes sobre a acusação a Bradock. ''No momento oportuno tudo isso será explicado.''
Bradock disse que não sabe se algum assessor seu está comercializando títulos do município. O deputado acredita que o comportamento de Gionédis teve como objetivo ''tumultuar'' a sessão. ''Vendem os imóveis (do Banestado) a preço de banana e ainda querem ter razão. Querem dar diploma de idiota para a gente e isso não podemos aceitar'', protestou.
Gionédis mostrou-se bastante irritado com a postura dos deputados. ''Eles têm que fazer perguntas e depois analisar de forma imparcial. Tem que haver respeito. E atrocidades eu não vou permitir'', avisou. O ex-secretário da Fazenda colocou em dúvida os conhecimentos técnicos de Bradock. ''Qual a capacidade técnica dele para questionar a venda de um banco? Poucas pessoas no País entendem disso'', frisou. A CPI vai reconvocar Gionédis para depor no dia 29.
A confusão começou enquanto os parlamentares ouviam depoimentos para esclarecer irregularidades na avaliação do Banestado, processo anterior à venda para o Itaú em outubro de 2000, por R$ 1,6 bilhão. Irritada com o tom das perguntas dos deputados, a então procuradora-geral do Estado, Márcia Carla Pereira Ribeiro, afirmou que ''a CPI estava equivocada'' e parecia uma ''comissão parlamentar de inquisição''. O presidente da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT), tentou rebater as acusações, mas foi interrompido pela advogada Louise Pereira Gionédis, mulher de Gionédis, que tentou intervir, alegando ser advogada da ex-procuradora-geral. Mais irritado, Bradock disse que a palavra não estava aberta à platéia e pediu que os seguranças da Assembléia retirassem Louise do local atitude que enfureceu Gionédis. Nesse instante, ele levantou e anunciou que não prestaria mais nenhum depoimento.
O depoimento de Gionédis estava marcado para 11 horas, mas ao meio-dia, quando abandonou o plenário, os deputados ainda estavam ouvindo outras testemunhas. Entre elas a presidente da Comissão de Licitação que escolheu os avaliadores do Banestado, Lúcia Paula Cordeiro do Rego Biscaia; o funcionário do Banestado, Waldemar Dante Borgaro; Hermínio Paiva de Castro, da Secretaria da Fazenda, e a ex-procuradora-geral do Estado. Além de integrar a Comissão de Licitação, os quatro também participaram da Comissão de Coordenação, nomeada pelo então governador Jaime Lerner (PSB) e presidida pelo próprio Gionédis. A comissão estava encarregada de analisar os trabalhos de avaliação prévia feitos pelos bancos CCF Brasil e Fator. (Colaborou Maria Duarte)


