O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, firmou acordo com o Banco Central que autoriza o governo do Paraná a privatizar o Banestado num prazo de um ano. A assinatura do documento foi ontem à tarde, em Brasília. Gionédis fechou a negociação em nome do governador Jaime Lerner (PFL) que, na última hora, não embarcou para Brasília, como planejava na segunda-feira. Os detalhes finais para o acerto da chapa PTB-PFL que vai concorrer em outubro alteraram os planos do governador, que acompanhou as conversações entre Gionédis e os técnicos do BC por telefone.
‘‘O acordo prevê saneamento total do banco, afasta a possibilidade de qualquer intervenção do Banco Central e soluciona os problemas que o Banestado vinha apresentando sem o fechamento de agências’’, diz a nota divulgada ontem pelo Palácio Iguaçu. O secretário voltou a frisar que a assinatura do acordo não deve mudar a rotina das agências e que os investimentos estão assegurados. ‘‘Esta foi a melhor solução para os problemas da instituição, que não poderiam ser suportados pelo Estado sem que houvesse prejuízos à população’’, declarou Gionédis, na nota.
Ainda não há prazo previsto para a remessa do acordo à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado. O senador Osmar Dias (PSDB) reafirmou ontem que vai pedir auditoria para confirmar o déficit de R$ 4,1 bilhões apresentado pelo governo Lerner. Gionédis acredita que a resistência do senador será isolada. ‘‘A matéria será apreciada pelos senadores como uma mensagem do presidente da República. Isso é normal no Senado e diversos estados obtiveram aprovação de seus acordos sem resistência’’, avaliava o secretário antes de embarcar na segunda-feira para Brasília.
O governo alega que a reestruturação do Banestado ‘‘faz parte de uma série de determinações do BC que exigiu o saneamento completo de todos os bancos estaduais do Brasil’’. Para tranquilizar, Gionédis afirmou na nota distribuída ontem que não haverá demissões em massa nem o fechamento de agências. ‘‘O impacto do saneamento será o menor possível para a população’’, garantiu. O governo colocou em caução ontem R$ 450 milhões em ações da Copel como contrapartida do Estado para a recuperação do banco. Os R$ 3,7 bilhões restantes ficarão a cargo da União.

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