Gino era o elo, diz promotor
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
De Londrina 
O promotor Cláudio Esteves disse ontem que o ex-secretário Gino Azzolini Neto foi o elo entre a administração do ex-prefeito Antonio Belinati e os empresários de Curitiba, envolvidos no escândalo AMA-Comurb. Há entre os réus aqueles que tinham ligações fortes com empresas envolvidas e que trabalharam inclusive em órgãos governamentais do Estado do Paraná, como é o caso do ex-secretário Gino Azzolini Neto, afirmou.
Esteves acredita que o esquema de corrupção ocorreu logo após a venda das ações da Sercomtel para a Copel. A partir do instante em que o município teve dinheiro em caixa as subtrações passaram a ocorrer, comentou.
Na segunda denúncia criminal do caso AMA-Comurb apresentada pelo MP de Londrina, Azzolini Neto é acusado de articular as subtrações de recursos públicos, fazendo contatos com os diretores da Comurb, Eduardo Alonso, Kakunen Kyosen e Lúcia Brandão. Ele também teria simulado a autorização das licitações fraudulentas, com data anterior aos pagamentos já efetuados. Além de ser um dos que atuavam diretamente no planejamento dos crimes, também contribuiu para que fosses inseridas declarações falsas em documentos públicos, diz um trecho da denúncia da promotoria.
Segundo o promotor, o MP reconheceu a cautela adotada pelo juiz Arquelau de Araújo Ribas, que preferiu esperar o julgamento do habeas-corpus pelo TJ. Porém, entende o promotor que existem motivos suficientes para a decretação das prisões. Além do clamor popular e da garantia da ordem pública em razão do rombo nos cofres da prefeitura, Esteves também destacou que a maioria dos réus da primeira ação criminal fugiram.
Nós temos um elemento muito importante que é o fato de que aqueles cujas prisões foram decretadas fizeram de tudo para escapar da atuação da Justiça, ficaram foragidos até conseguir uma liminar em habeas-corpus, afirmou. Na avaliação de Esteves, em caso de condenação essas pessoas tentariam escapar da Justiça. Ele se refere a quatro dos sete acusados que tiveram a prisão decretada, mas não foram localizados.
O promotor observou também que os réus colaboradores e testemunhas podem ser pressionados pelos réus que tiveram suas prisões pedidas. Segundo ele, o MP já registrou casos de ameças e alguns réus solicitaram e obtiveram proteção judicial. (L.R.)


