Brasília - Em encontro de mais de três horas na Comissão de Educação do Senado, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendeu ontem a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), debaixo de um bombardeio estatístico e uma saraivada de críticas - e também de elogios - de vários setores cinematográficos e audiovisuais e de senadores.
Gil revelou que o governo trabalha com a previsão de enviar o texto definitivo para o Congresso em novembro e refutou argumento do senador Osmar Dias (PDT-PR), presidente da comissão, para quem a Ancinav, face à iminente lei sobre as agências reguladoras (Lei 3.337/2004, que ainda está em discussão) corre o risco de ficar obsoleta antes de entrar em vigência, no próximo ano. ''A regulação é um processo dinâmico. O que serve agora pode não servir daqui a 5 anos. Mas não podemos ter medo de nos antecipar. Acho que a Ancinav vai antecipar questões'', disse o ministro.
Gil criticou o mercado ''autofágico'' e disse que a única coisa que impede que as empresas brasileiras de radiodifusão sejam ''fagocitadas'' pelos conglomerados internacionais é a medida de regulação que versa sobre a participação estrangeira no capital dessas empresas, além da questão da responsabilidade editorial, que deve ser de brasileiros. Fagócito é uma célula que é capaz de envolver, engolir e digerir microorganismos e detritos de outras células.
Em seguida, Gil qualificou a futura agência reguladora de ''o mais eficiente e adequado meio de o Estado, não o governo, lidar com setores complexos e dinâmicos da economia''. Segundo ele, a regulação, a mediação e o incentivo dos agentes econômicos do setor muitas vezes têm ''interesses contraditórios''.
Cerca de 40 jornalistas e 14 senadores, além de assessores, lotaram a sala da audiência. A mesa contou com representantes do setor cinematográfico e o cineasta Cacá Diegues (''Não estou falando em nome de ninguém'', alertou).

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