Gil diz que fumou maconha até 50 anos
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Patrícia Villalba<br> Agência Estado 
São Paulo - Entre os tantos temas abordados em mais de duas horas de sabatina promovida pelo jornal ''Folha de S.Paulo'', o ministro da Cultura, Gilberto Gil, causou frisson na platéia ao se posicionar positivamente, e de maneira enfática, à descriminalização da maconha. O assunto veio à tona quando chegou à mesa de entrevista uma pergunta escrita, vinda da platéia: ''O senhor ainda fuma maconha?'', leu o mediador Marcos Augusto Gonçalves. ''Não, parei quando fiz 50 anos'', respondeu o ministro, que tem 62 anos.
Gil observou que ''todo mundo sabe'' do posicionamento dele sobre o assunto. Durante os mais de 40 anos de carreira, ele nunca se furtou a discutir o assunto. ''Sou a favor da transformação de um problema policial num problema de saúde'', ponderou o ministro. Gil foi preso em 1976 por porte de maconha. Na ocasião, disse ao juiz que a maconha não lhe fazia mal, nem o levava a fazer o mal. ''Por que ser proibido? Para que tráfico, traficante e toda essa cadeia extraordinária que é gerada pela proibição?'', questionou o ministro. ''(Com a legalização) o governo poderia fazer políticas de desestímulo ao uso, como é feito com o fumo'', sugeriu. ''Claro que é difícil, mas ainda assim deve ser recompensador. É um progresso socialmente interessante.''
Gil foi amplamente cobrado como ministro e integrante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança de planos na criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), o corte brutal no orçamento do Ministério da Cultura, a pirataria de CDs, os boatos de que deixaria o ministério e até mesmo o desmatamento e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entraram na pauta.
Por mais de uma vez, Gil teve a oportunidade de criticar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a quem cabe decidir o descontingenciamento dos recursos do MinC, mas, polido, não o fez.


