São Paulo O governo Lula chega ao final do seu primeiro ano mais conservador do que o governo Fernando Henrique Cardoso. ''A política econômica atual é muito mais conservadora do que a política anterior'', avalia o filósofo José Arthur Gianotti, que se diz menos entusiasmado do que estava no final do ano passado. ''Por enquanto, a continuidade é muito mais nos erros do que nos acertos'', constata, ressaltando os problemas não resolvidos na área social. ''Esperava que o governo acertasse mais'', afirma Gianotti. ''No caso das políticas públicas, houve um retrocesso.''
Ele também lamenta o ''aparelhamento do Estado'' pelo PT e o ressurgimento de políticas clientelistas. ''Os quadros do segundo escalão foram todos nomeados pela Casa Civil com critérios políticos'', observa. Assim, embora concorde com as previsões de um crescimento econômico entre 3% a 4% nos próximos meses, ele não acredita que 2004 seja tão bom quanto as pesquisas e as autoridades dão a entender. ''Não temos nenhum indício que esse crescimento possa ser sustentável'', adverte.
E, para ele, a expulsão dos radicais do PT demonstra que o sonho da esquerda acabou no primeiro ano do governo Lula. ''Diria que o sonho desse pessoal já estava recheado de creme. A culpa não é minha se eles foram crédulos. É verdade que, no início do ano, eu também estava muito mais entusiasmado.
Gianotti conclui que, na medida em que''o PT foi para o centro, para suprir a desconfiança com sua folha de serviçoes, o partido precisava jogar ao mar seus radicais, mostrar que é o escudeiro da nova ordem''. E acrescentou que, ''como o PT era cristão novo, precisava aplicar as políticas neoliberais de uma forma muito mais rigorosa do que o governo Fernando Henrique aplicou e que certamente o (José) Serra aplicaria''.

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