O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido), que responde a ação por improbidade administrativa acusado de participar de desvios na prefeitura, vendeu parte da safra de soja que colheu na sua fazenda, no Mato Grosso (MT), e que estava sequestrada pela Justiça desde o final de fevereiro. Segundo o procurador jurídico da Prefeitura de Maringá, Alaércio Cardoso, o ex-prefeito comercializou 100 mil sacas e arrecadou cerca de R$ 1,3 milhão. O restante da safra (20 mil sacas), ainda está em poder de Gianoto.
A informação foi repassada informalmente a Cardoso na semana passada, pelo advogado Odair Moreschi, que atua na defesa de Gianoto. Moreschi alegou que o cliente teria compromissos de financiamento junto a bancos. ‘‘Na visão deles existiam condições legais para a comercialização da safra, mas na nossa opinião o ex-prefeito descumpriu uma ordem legal’’, avaliou Cardoso. O juiz Moacir Dorquato, de Dimantino (MT), comarca de Nova Mutum, onde fica a fazenda de Gianoto, autorizou o sequestro dos bens a pedido do município.
Cardoso explicou que os advogados do ex-prefeito estão preparando um relatório comprovando os gastos, os contratos de financiamento, os relatórios de venda e o que foi pago. Com a documentação em mãos, eles pretendem acionar o Ministério Público Federal, que cuida da questão criminal do caso. O procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, volta de férias no próximo dia 5 de junho. ‘‘Até lá estaremos preparando a contestação de venda da safra’’, afirmou Cardoso.
O procurador da prefeitura lembra que a Cooperativa Coopervale, que tem entreposto em Nova Mutum, estava como fiel depositário da safra. ‘‘A cooperativa alega desconhecer qualquer comercialização de parte da colheita’’, disse. Cardoso revelou ainda que os advogados do ex-prefeito ofereceram também entregar o restante da soja, avaliadas em R$ 260 mil, à prefeitura. ‘‘Vamos aceitar’’, adiantou.
Gianoto acena também com a intenção de ‘‘liberar’’ as duas colheitadeiras sequestradas da fazenda, e que já estão em Maringá, além de devolver R$ 316 mil que teria recebido na conta particular oriundo da prefeitura. Cada colheitadeira, comprada com dinheiro do município e que Cardoso tenta liberar via judicial, vale em torno de R$ 100 mil. Além da safra e das máquinas, a Justiça sequestrou também dois silos da fazenda de Gianoto, com capacidade para 50 mil sacas cada um e avaliados em R$ 310 mil.
A Fazenda Sapucaia, que Gianoto alega ter há mais de 20 anos, tem 3,6 mil hectares. No mesmo município o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, preso desde dezembro acusado de comandar o esquema de desvios da prefeitura, tem a Fazenda Rio Brilhante, com 5,6 mil hectares. A Justiça sequestrou três colheitadeiras do mesmo tipo de Paolicchi, mas as máquinas estão em poder do comprador da área, que contesta a decisão.
Os bens de Paolicchi e Gianoto (propriedades rurais e urbanas, além de empresas), localizados pela Justiça, não passam de R$ 12 milhões. Apenas o Tribunal de Contas do Estado (TC) já identificou um rombo superior a R$ 100 milhões nas duas últimas administrações, em valores atualizados.

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