Gianoto vende safra de grãos sequestrada
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Marcos ZanattaDe Maringá 
O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (sem partido), que responde a ação por improbidade administrativa acusado de participar de desvios na prefeitura, vendeu parte da safra de soja que colheu na sua fazenda, no Mato Grosso (MT), e que estava sequestrada pela Justiça desde o final de fevereiro. Segundo o procurador jurídico da Prefeitura de Maringá, Alaércio Cardoso, o ex-prefeito comercializou 100 mil sacas e arrecadou cerca de R$ 1,3 milhão. O restante da safra (20 mil sacas), ainda está em poder de Gianoto.
A informação foi repassada informalmente a Cardoso na semana passada, pelo advogado Odair Moreschi, que atua na defesa de Gianoto. Moreschi alegou que o cliente teria compromissos de financiamento junto a bancos. Na visão deles existiam condições legais para a comercialização da safra, mas na nossa opinião o ex-prefeito descumpriu uma ordem legal, avaliou Cardoso. O juiz Moacir Dorquato, de Dimantino (MT), comarca de Nova Mutum, onde fica a fazenda de Gianoto, autorizou o sequestro dos bens a pedido do município.
Cardoso explicou que os advogados do ex-prefeito estão preparando um relatório comprovando os gastos, os contratos de financiamento, os relatórios de venda e o que foi pago. Com a documentação em mãos, eles pretendem acionar o Ministério Público Federal, que cuida da questão criminal do caso. O procurador da República em Maringá, Natalício Claro da Silva, volta de férias no próximo dia 5 de junho. Até lá estaremos preparando a contestação de venda da safra, afirmou Cardoso.
O procurador da prefeitura lembra que a Cooperativa Coopervale, que tem entreposto em Nova Mutum, estava como fiel depositário da safra. A cooperativa alega desconhecer qualquer comercialização de parte da colheita, disse. Cardoso revelou ainda que os advogados do ex-prefeito ofereceram também entregar o restante da soja, avaliadas em R$ 260 mil, à prefeitura. Vamos aceitar, adiantou.
Gianoto acena também com a intenção de liberar as duas colheitadeiras sequestradas da fazenda, e que já estão em Maringá, além de devolver R$ 316 mil que teria recebido na conta particular oriundo da prefeitura. Cada colheitadeira, comprada com dinheiro do município e que Cardoso tenta liberar via judicial, vale em torno de R$ 100 mil. Além da safra e das máquinas, a Justiça sequestrou também dois silos da fazenda de Gianoto, com capacidade para 50 mil sacas cada um e avaliados em R$ 310 mil.
A Fazenda Sapucaia, que Gianoto alega ter há mais de 20 anos, tem 3,6 mil hectares. No mesmo município o ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, preso desde dezembro acusado de comandar o esquema de desvios da prefeitura, tem a Fazenda Rio Brilhante, com 5,6 mil hectares. A Justiça sequestrou três colheitadeiras do mesmo tipo de Paolicchi, mas as máquinas estão em poder do comprador da área, que contesta a decisão.
Os bens de Paolicchi e Gianoto (propriedades rurais e urbanas, além de empresas), localizados pela Justiça, não passam de R$ 12 milhões. Apenas o Tribunal de Contas do Estado (TC) já identificou um rombo superior a R$ 100 milhões nas duas últimas administrações, em valores atualizados.


