O ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianotto (sem partido), foi ouvido ontem pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, José Aparecido da Cruz, que investiga os desvios na administração municipal. O depoimento estava marcado para hoje à tarde, mas os advogados do ex-prefeito conseguiram a antecipação. Ele começou a ser ouvido às 17h30 e até às 22 horas o ex-prefeito não havia deixado a sala da promotoria.
Gianoto chegou ao prédio do Ministério Público (MP) somente na hora marcada para o depoimento, acompanhado de seu advogado, Antônio Mansano Neto. Apressado e evitando a imprensa, o ex-prefeito entrou pela porta dos fundos, usando a escada que dá acesso a cozinha.
Segundo as investigações do MP, Gianoto se beneficiou com mais de R$ 2 milhões desviados da Prefeitura de Maringá. Ele teria comprado duas colheitadeiras, insumos e construído um silo em sua fazenda, em Nova Mutum (MT), utilizando cheques nominais da prefeitura. Em sua conta particular, também foram encontrados depósitos no valor de R$ 549 mil, desviados dos cofres municipais. O Tribunal de Contas (TC) do Estado apurou que na gestão de Gianoto os desvios chegaram a R$ 54 milhões.
A mulher do ex-prefeito, Neusa Gianoto, deverá depor hoje ao MP. Ela é citada no depoimento do ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi, preso desde o dia 7 de dezembro. O ex-secretário relatou que durante toda a administração de Gianoto, Neusa recebeu uma mesada em torno de R$ 10 mil, resultante de recursos públicos. Paolicchi e Gianoto são réus em uma ação de improbidade administrativa por desvios que podem ultrapassar R$ 100 milhões.
O ex-secretário de fazenda, Rubens Weffort, que ocupou a pasta nas duas gestões do ex-prefeito Said Ferreira (sem partido), também prestou depoimento ontem ao promotor. Weffort levou uma caixa cheia de documentos para comprovar a destinação da maioria dos cheques em poder do MP. O ex-secretário só não conseguiu explicar a aplicação de dois cheques, no valor total de R$ 94 mil. Ele solicitou um prazo para identificar os documentos e apresentar a Cruz.
Uma auditoria realizada ano passado pela equipe de Gianoto comprovou que durante a segunda gestão da Said, de 1993 a 1996, mais de R$ 4,2 milhões foram desviados dos cofres municipais.

mockup