Maringá - O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto disse ontem, durante interrogatório na Justiça Federal, que os negócios feitos com o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi foram baseados em uma ‘‘relação de confiança’’. Gianoto assumiu pela primeira vez a amizade com o ex-secretário, mas disse que não tinha idéia de que o dinheiro – cerca de R$ 1,8 milhão – depositado em sua conta corrente particular ou utilizado para negócios agropecuários era da Prefeitura de Maringá. Parte do valor também foi utilizado para comprar uma aeronave. ‘‘Confiei em quem me estendeu a mão’’, alegou Gianoto.
Segundo o ex-prefeito, quando assumiu a prefeitura, em 1997, sua situação financeira era crítica e foi ‘‘salva’’ por meio de empréstimos concedidos pelo ex-secretário de Fazenda. ‘‘Um dia Paolicchi me procurou no meu gabinete dizendo que pegava mal para o prefeito da terceira maior cidade do Paraná ficar devendo títulos e ter cheques devolvidos’’, relatou.
O ex-prefeito contou que, a partir daí, o ex-secretário ofereceu empréstimos para pagamentos a longo prazo. A relação de negócios teria se ampliado quando Paolicchi decidiu comprar uma propriedade rural vizinha a do ex-prefeito em Nova Mutum (MT). Gianoto disse que praticamente assumiu a administração da fazenda do ex-secretário e que a compra de insumos, sementes e de pessoal era feita em conjunto com Paolicchi.
A mulher do ex-prefeito, Neusa Gianoto, que também responde ao processo por ter recebido R$ 14 mil da prefeitura em conta corrente particular, disse que o marido havia se transformado em um ‘‘serviçal’’ de Paolicchi. Neusa afirmou, porém, que a família não mantinha relacionamentos tão ‘‘estreitos’’ com o ex-secretário e que ela havia se rebelado com o fato de que Paolicchi seria vizinho da fazenda de Nova Mutum.
No interrogatório de ontem, o ex-prefeito disse ao juiz da Vara Criminal Federal, Edvaldo Mendes da Silva, que Paolicchi foi escolhido para o cargo por uma decisão ‘‘técnica’’. Em depoimentos anteriores à Justiça Federal, como testemunha, o ex-prefeito afirmava que a nomeação de Paolicchi havia sido uma sugestão do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A mulher de Gianoto contou ao juiz que conheceu Paolicchi depois das eleições municipais, quando viajou com o ex-secretário para Aparecida do Norte (SP). Na viagem, além do ex-secretário, estava o assessor do Tribunal de Contas, Duilio Bento.
A ação criminal também envolve, além de Gianoto, Neusa e Paolicchi, o empresário Jorge Sanches Ouverney, de Nova Friburgo (RJ), e os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa.

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