O prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (PSDB), solicitou e conseguiu ontem da Câmara de Vereadores uma licença para se afastar do cargo por tempo indeterminado. Suspeito de ter se beneficiado do desvio de R$ 549 mil dos cofres públicos, Gianoto usou o pedido de afastamento como uma manobra para escapar de um afastamento judicial. O Ministério Público (MP), que investiga o desvio, já havia solicitado à Justiça o afastamento e a indisponibilidade de bens de Gianoto.
O promotor José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, havia proposto, junto à 1ª Vara Cível, um aditamento na ação civil pública que apura o desvio de R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Maringá, para incluir o prefeito. O MP chegou ao novo desvio de R$ 549 mil analisando as contas do município, que tiveram o sigilo quebrado. Segundo Cruz, foram emitidos cheques nominais à Prefeitura de Maringá, endossados e depositados nas contas de Gianoto no Banco do Brasil e no Banestado, no período entre outubro de 1997 e março de 1999, que coincide em parte com o desvio dos R$ 2,6 milhões descobertos anteriormente.
No aditivo da ação, o promotor pede a indisponibilidade dos bens de Gianoto, que incluem um haras na cidade de Mandaguaçu (na região de Maringá), duas fazendas em Nova Mutum (MT) e um avião Chayane, prefixo PT-OPC. Ele solicita ainda o ressarcimento dos cofres municipais no valor total de R$ 3,15 milhões.
O MP definiu ainda uma multa de três vezes o valor do desvio, que chega a R$ 9,45 milhões. No total, se condenados, Gianoto, o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi, o secretário afastado Jorge Aparecido Sossai e a servidora Rosimeire Castelhano Barbosa terão que desembolsar R$ 12,6 milhões. O advogado Waldemir Ronaldo Corrêa, que é servidor municipal afastado e funcionário de Paolicchi, não está sendo citado no desvio de R$ 549 mil.
‘‘Vamos continuar investigando porque os indícios são de que as irregularidades não param por a풒, afirmou o promotor. Ele explicou que tão logo chegou aos novos desvios, propôs anteontem o aditamento da ação. Até o final da tarde de ontem, o juiz da 1ª Vara, Mário Seto Takeguma, ainda não havia analisado os novos fatos da ação.
Cópias do processo foram enviadas para a Vara Criminal da Justiça Federal, para a Câmara de Vereadores e para o Centro de Apoio Operacional da Promotoria do Patrimônio Público, em Curitiba. O Centro de Apoio apura a questão criminal do processo. A Justiça Federal também deve anexar o caso na ação por peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e sonegação fiscal contra Paolicchi e os demais envolvidos. Todos estão convocados para depor na segunda-feira, inclusive Paolicchi, que está com a prisão preventiva decretada. O ex-secretário está foragido.
O promotor acredita que assim que surgirem indícios de novos desvios e a participação de mais pessoas, novos processos serão instaurados. Cruz defende a ação imediata para impedir qualquer manobra dos acusados. Ele lembra que no caso do desvio de R$ 2,6 milhões, no qual o principal acusado é Paolicchi, se não tivesse agido rápido o ex-secretário teria vendido oito fazendas no Mato Grosso, por cerca de R$ 1,2 milhão. O promotor coloca ainda que o caso ‘‘não tem defesa’’, já que são todos funcionários públicos que sabiam ou cometeram irregularidades.

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