Gianoto e Paolicchi sofrem ação criminal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Rubens Burigo Neto e Curitiba Marcos Zanatta De Maringá 
O Centro de Apoio às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, com sede em Curitiba, ofereceu denúncia-crime contra o prefeito afastado de Maringá Jairo Gianoto (PSDB), o ex-secretário da Fazenda do município Luis Antônio Paolichi e os servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa. Os quatro são acusados de peculato (crime cometido por funcionário público que se apropria de dinheiro) e formação de quadrilha por terem desviado R$ 549,8 mil dos cofres da Prefeitura de Maringá.
Não houve pedido de prisão dos denunciados porque, no entendimento dos promotores que fizeram a denúncia-crime Munir Gazal, Reginaldo Rolim e Wanderlei Carvalho da Silva , por enquanto as informações que constam dos autos não preenchem os requisitos essenciais para uma medida nesse sentido. Apesar de Gianoto já ter sido afastado pela Justiça e estar licenciado do cargo, os promotores pedem o afastamento dele para assegurar transparência na continuidade do processo.
A denúncia deve ser protocolada amanhã no Tribunal de Justiça, e ontem até as 19 horas o documento não havia sido recebido pelo setor de protocolo do TJ. Depois de protocolada, a denúncia-crime será distribuída para análise de um dos desembargadores do TJ. Se condenados pelo crime de peculato, os quatro podem receber uma pena que varia de 2 a 12 anos de detenção. Para o crime de formação de quadrilha a pena de prisão é menor, varia de um a 3 anos de detenção.
Ontem, a Justiça Federal de Maringá fixou data para a apresentação do ex-secretário da Fazenda. Paolicchi é acusado de desviar R$ 3,1 milhões da prefeitura embora uma fonte da Folha calcule que o rombo pode ser de R$ 100 milhões e terá de se apresentar até o próximo dia 27 à Justiça. O prazo foi definido depois que Paolicchi, que está com a prisão preventiva decretada e foragido há mais de um mês, não participou da audiência na data agendada 30 de outubro. Se não comparecer para depor, o processo passa a correr à revelia.
No caso, explica o diretor da Vara Criminal Federal, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, o juiz fica desobrigado a informar o andamento do processo à parte. Correndo à revelia, a ação dispensa também a intimação do acusado. Silva explica que como Paolicchi está com a prisão decretada e foragido, pode se apresentar a qualquer momento. Desde que a agenda do juiz e dos demais interessados permita, observa.
Ontem, os advogados de Paolicchi, Moisés Zanardi, de Maringá, e Wagner Brusculo Pacheco, de Umuarama, reuniram-se com o juiz da Vara Criminal Federal, Anderson Furlan Freire da Silva. O teor da reunião não foi divulgado, mas segundo o diretor da Vara Criminal Federal, não ficou definida nenhuma estratégia para a possível apresentação de Paolicchi.
Pacheco saiu bastante irritado do prédio da Justiça Federal, disse que o cliente vai se entregar e que esteve com o juiz para reclamar da imprensa. Ele não quis detalhar os motivos da reclamação nem falou em datas para a apresentação de Paolicchi à Justiça.


