Numa carta simples, o prefeito afastado de Maringá, Jairo Gianoto, oficializou ontem, junto à executiva estadual do PSDB, em Curitiba, o seu pedido de desfiliação do partido. Assim como fez o prefeito cassado de Londrina, Antonio Belinati, Gianoto pediu o desligamento para evitar que fosse expulso do PSDB. O pedido de expulsão do prefeito afastado seria apreciado na reunião do diretório estadual do partido, que aconteceu ontem à noite na capital. ‘‘Com a oficialização do pedido de desligamento, o caso (pedido de expulsão) está encerrado’’, informou o tesoureiro do PSDB paranaense, Edson Gradia.
Ontem foi distribuído para o desembargador Telmo Cheren, da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, a denúncia-crime contra Gianoto (PSDB), o ex-secretário da Fazenda do município Luis Antônio Paolichi, e dos servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa. Os quatro estão sendo acusados – pela Central de Apoio às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, com sede em Curitiba – pelos crimes de peculato e formação de quadrilha.
Gianoto, Paolichi e os dois funcionários são acusados do desvio de R$ 549,8 mil dos cofres da Prefeitura de Maringá. Se condenados pelo crime de peculato, os quatro podem receber uma pena que varia de dois a 12 anos de detenção. Para o crime de formação de quadrilha a pena de prisão é menor, varia de 1 a 3 anos de detenção.
Assessores de Gianoto, que alegam não saber onde o prefeito afastado está, criticaram ontem em Maringá a posição do partido, de querer expulsar antes mesmo de um julgamento pela Justiça. Todos alegam que quando o senador Alvaro Dias, atual presidente do PSDB no Paraná, queria entrar no partido, encontrava resistências de outros filiados. Gianoto, segundo eles, foi o que mais defendeu Alvaro no ninho tucano. Os assessores acham que o partido deveria estar do lado do prefeito afastado, e não agir no sentido de expulsar ele.
Os advogados de Gianoto declararam que não comentam a posição do prefeito diante da iniciativa do partido, mas informam que ele está fora de Maringá. A prioridade na defesa agora, segundo eles, é garantir que a Câmara não chegue à cassação. Um dos advogados disse que serão usados todos os artifícios de defesa para impedir o andamento da CP, inclusive com a citação de muitas testemunhas para atrasar os trabalhos.

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