Leandro Donatti
De Curitiba
O procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, não mudou de discurso. Voltou a frisar ontem, depois do vazamento do depoimento de Lúcia Brandão pela OAB de Londrina, que, até o momento, o Ministério Público não encontrou indícios que comprovem a compra de deputados em troca do desmonte da CPI Sercomtel-Copel. O procurador-geral classificou o depoimento da ex-diretora da Comurb como ‘‘fato isolado’’. ‘‘Ela diz ter ouvido do Eduardo Alonso. Este, entretanto, não confirmou nada quando prestou seu depoimento aos promotores’’, disse.
Depoimento da ex-diretora da Comurb Lúcia Brandão causou perplexidade na Assembléia Legislativa. ‘‘Quem é essa mulher?’’, questionou presidente da AL, Nelson Justus. O procurador-geral Gilberto Giacóia, continua negando indícios de compra de deputados.
Giacóia soube pela Folha do vazamento do depoimento. Ligou imediatamente para os promotores que cuidam do caso em Londrina. O procurador-geral da Justiça não escondia o seu constrangimento por ter sido pego de surpresa. Porém, reforçou ponto por ponto o teor do ofício encaminhado à Assembléia, há cerca de 15 dias, livrando, por ora, os deputados de qualquer suspeita envolvendo o crime de suborno. ‘‘Desde o início batemos na tecla de que não há menção de nenhum nome de deputado do Paraná. Acho que não há nada de contraditório nisso’’, reforçou.
Gilberto Giacóia disse que apesar da coincidência de datas – 20 assinaturas de apoio à CPI Sercomtel-Copel foram retiradas horas depois de terem sido desviados recursos públicos para contas de quatro empresas fantasmas de Curitiba e Londrina – não há elementos materiais para comprovar culpabilidade ou motivação premeditada dos deputados em se desmontar a CPI. ‘‘As investigações prosseguem. O Ministério Público do Paraná está checando conta por conta dessas empresas’’, assinalou o procurador-geral. Giacóia disse que o documento encaminhado aos deputados fazia menção genérica ao depoimento da ex-diretora da Comurb.
Procurado pela Folha, o presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), disse estar perplexo com o depoimento de Lúcia Brandão. ‘‘Quem é essa mulher?’’, questionou. O deputado retorna hoje de Guaratuba, litoral do Estado, para Curitiba. Na próxima segunda-feira, reúne a mesa executiva para rediscutir o assunto. ‘‘Pensei que estava tudo resolvido. Tenho um documento do Ministério Público dizendo que não há deputados envolvidos nesta história’’, argumentou ele, numa referência ao ofício encaminhado por Giacóia.
‘‘Tenho preocupação com esse tipo de coisa. A imagem do Poder Legislativo é que está em jogo. Mais uma vez levanta-se suspeitas contra os deputados. Acho isso um absurdo. Quando o assunto veio à tona pela primeira vez tomei as atitudes cabíveis. Solicitei informações ao Ministério Público e depois a Assembléia publicou nota oficial sobre o assunto’’, assinalou. Justus disse que em nenhum momento tomou conhecimento do depoimento de Lúcia. ‘‘Isso não está no ofício’’, rebateu Justus.

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