Leandro Donatti
De Curitiba
O procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, disse ontem que não há elementos concretos para se afirmar que houve a compra de deputados no Paraná em troca do desmonte da CPI envolvendo a Copel, a Sercomtel e a Prefeitura de Londrina, em maio do ano passado. Depois de ouvir os promotores da 3ª Vara Cível, Solange Vicentin; da Promotoria de Investigações Criminais, Cláudio Esteves; e da Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, que cuidam do caso AMA-Comurb, Giacóia redigiu um ofício que seria remetido no final da tarde pelo comando do Ministério Público para o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justus (PTB).
Pressionado pelos deputados que se sentiram incomodados com o clima de suspeita, Justus solicitou informações anteontem sobre o andamento das investigações. Ele queria saber se o Ministério Público encontrou índicios ou qualquer tipo de suspeita de suborno. A CPI Copel-Sercomtel foi instalada em maio de 1999 e misteriosamente desfeita em menos de 48 horas. Vinte deputados da base governista assinaram requerimento de instalação, mas recuaram. A CPI tinha por objetivo investigar a compra pela Copel de 45% das ações da Sercomtel e o repasse de R$ 47 milhões ao Banco FonteCindam como pagamento de empréstimo avaliado em aproximadamente R$ 22 milhões.
‘‘Não há nenhuma referência a nomes de deputados. Nem existe nenhuma investigação instaurada por que não há elemento concreto’’, consta no documento elaborado por Giacóia. O procurador geral da Justiça disse, no entanto, que, se, no decorrer das investigações houver elemento concreto ‘‘daí a história é outra’’. ‘‘Aos fatos noticiados, não se tem referência a nomes’’, reafirmou Giacóia. O procurador pretendia entregar em mãos o documento a Nelson Justus. Sobre a informação de que os promotores de Londrina investigam depósito de R$ 3,4 milhões, feito um dia depois do fim da CPI, na conta de empresas fantasmas, Giacóia foi cauteloso.
‘‘Há uma distância muito grande entre se afirmar que houve compra de deputados e apurar uma suposta coincidência temporal’’, observou Giacóia, ontem. Por não estarem ainda concluídas as investigações sobre o escândalo AMA-Comurb, o procurador geral da Justiça não quis tecer comentários sobre qualquer tipo de conclusão antecipada. O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus, soube do teor do ofício de Gilberto Giacóia pelos jornalistas, por volta das 16 horas, bem antes de conhecer oficialmente o documento. O deputado não gostou nada de ter sabido por terceiros das informações. À Folha, disse que só se pronunciaria com o ofício em mãos.
Justus afirmou que pretende reunir a mesa executiva da Assembléia para analisar o teor do ofício. ‘‘Depois disso divulgaremos nota oficial’’, prometeu. O anúncio de Giacóia traz alívio aos deputados que recuaram da CPI Copel-Sercomtel. Durante a semana, foram expostos à opinião pública. A oposição aproveitou o gancho para articular a reinstalação da CPI, que agora definitivamente morre na casca. Governistas como Augustinho Zucchi (PSDB), que condicionava seu apoio à reinstalação da CPI, não adere mais ao pedido depois de Giacóia descartar momentaneamente o envolvimento de parlamentares no desvio de recursos da Prefeitura de Londrina.

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