Gestores explicam operações no Banco Santos
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os ex-diretores da Fundação Copel (que administra fundos previdenciários de mais de 10,5 mil funcionários da estatal), Othon Mader Ribas e Pedro Henrique de Almeida, admitiram ontem que aplicaram recursos em investimentos de longo prazo e debêntures no mercado nacional interno e operaram com recursos da ordem de R$ 128 milhões no Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central no último dia 12. Os dois ex-diretores argumentaram, entretanto, que todas as aplicações financeiras foram feitas dentro da legalidade. Eles geriram a Fundação Copel entre janeiro e novembro do ano passado, quando foram obrigados a renunciar por problemas políticos.
Ribas, que era o então presidente da Fundação Copel, teria autorizado a compra de R$ 55,6 milhões em debêntures de concessionárias de pedágio, duas delas do Paraná. ''Não havia risco nessas debêntures que eram bons investimentos de longo prazo. Não avaliamos o risco político. Somos técnicos e minha avaliação quando resolvi investir em debêntures foi técnica. Tanto que a Fundação Copel não sofreu qualquer tipo de prejuízo com isso'', afirmou ele. Quanto aos investimentos no Banco Santos, Ribas falou que em 2003 o banco tinha liquidez e oferecia as melhores condições de mercado, com baixa taxa de gestão de investimentos.
''Tudo o que colocamos no Banco Santos teve retorno positivo para a fundação. O banco começou a dar problemas nesse ano. Quem teria que ter retirado os investimentos, se tivesse que tomar essa decisão, teria que ser a atual administração'', ponderou Almeida, ex-diretor financeiro. Quando assumiram a gestão da Fundação Copel, eles encontraram investimentos ainda maiores no Banco Santos, na ordem de R$ 132 milhões. Deste valor, R$ 39 milhões foram de aplicações internas no próprio banco. O restante, mesmo com liquidação, seria recuperado porque se tratam de recursos apenas gerenciados pelo Banco Santos e com a custódia do Banco Itaú.
Os dois ex-diretores foram ouvidos ontem na Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa e negaram que tenham tido orientação de qualquer integrante da diretoria da Copel. Entretanto, um dos operadores de renda variável escolhido pela diretoria que assumiu a fundação em janeiro de 2003 foi um ex-funcionário do próprio Banco Santos.
''A compra de debêntures que fizemos foi acertada. Nunca houve qualquer prejuízo durante nossa gestão'', garantiu Ribas, apresentando os balancetes da instituição que estava com déficit de R$ 50 milhões em janeiro de 2003 e saltou para um superávit de R$ 170 milhões em novembro do mesmo ano. Os investimentos totais feitos pela fundação somente em renda fixa somavam R$ 1,7 bilhão. O patrimônio líquido da instituição de fins previdenciários era de R$ 2,6 bilhões.


