Gestor e políticos disputavam indicações no fisco, afirma delator
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terça-feira, 08 de março de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Ao reafirmar ingerência política na Receita Estadual de Londrina, durante interrogatório perante o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, o principal delator do esquema de corrupção investigado pela Operação Publicano, o auditor Luiz Antonio de Souza, acusou o coordenador da Região Metropolitana de Londrina (Comel), Victor Hugo Boselli Dantas, de ter recebido R$ 30 mil, como uma espécie de "agradecimento" por ter indicado Márcio de Albuquerque Lima como delegado regional de Londrina, em 2010. Naquele ano, Dantas foi o coordenador da campanha de Beto Richa (PSDB) ao Palácio do Iguaçu. Teve a mesma função na campanha de reeleição.
Lima apontado como chefe da organização criminosa ocupou o principal cargo da agência local do fisco entre janeiro de 2011 e junho de 2014. No mês seguinte, galgou o segundo mais alto cargo na hierarquia da Receita: passou a responder pela Inspetoria Geral de Fiscalização (IGF), onde permaneceu até poucos dias antes da deflagração da Publicano, em março de 2015.
Segundo o delator, cada vez que havia eleição para governador, começava a movimentação política na Receita para indicar os cargos mais importantes nas delegacias regionais e na Coordenação da Receita.
Em 2010, os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Fernando Francischini (SD) teriam, segundo afirmou Souza na segunda-feira, travado verdadeira briga política com Dantas e com o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante de Beto, para a chefia da Delegacia de Londrina. Hauly teria apadrinhado o auditor Hélio Sanzovo; Francischini, um auditor de Ponta Grossa. "Mas, quem venceu, foram o Abi e o Victor Hugo Dantas, que conseguiram nomear o Márcio Lima", disse o advogado do delator, Eduardo Duarte Ferreira. "Logo que saiu a nomeação, os auditores deram R$ 30 mil, que tinham obtido por meio de propina, para o Victor Hugo. Foi um prêmio por sua colaboração".
Ferreira explicou que naquele ano, seu cliente uniu-se a Lima e a outros dois auditores Milton Diagiácomo e José Luiz Favoreto com objetivo de conseguir os principais cargos da delegacia e, assim, aprimorar o esquema de arrecadação de propina. Com a nomeação de Lima, Digiácomo passou a ser o inspetor regional de fiscalização, cargo que ocupou até julho de 2013, quando foi substituído por Favoreto. Este permaneceu na Inspetoria até junho de 2014, data que Lima foi para a IGF, em Curitiba. Então, quem assumiu a Inspetoria em Londrina foi justamente Souza.
Em nota, Francischini afirmou "nunca ter feito pedido para nomeação de qualquer cargo no governo e que, especificamente, nunca teve qualquer relação com nomeações na Receita Estadual". O parlamentar cobrou de Souza "os nomes dos delegados que teriam sido indicados por ele" e afirmou que irá processá-lo por suas declarações.
Hauly, que foi secretário estadual de Fazenda de 2011 a 2013, também negou ter feito qualquer indicação ou participado de qualquer disputa. "Isso é conversa fiada."
Dantas, em entrevista à FOLHA, negou veementemente ter recebido qualquer vantagem do grupo de auditores e tampouco ter indicado Lima ao cargo. Disse que conhece Lima pelo cargo que ele ocupou, mas que "não tive o desprazer de conhecer esta pessoa", referindo-se a Souza. "Delação premiada tem que ser comprovada e ele não prova nada", acusou. "Tenho 40 anos de Londrina e um passado ilibado. Estou à disposição do Ministério Público, da Justiça para qualquer esclarecimento."


