Eleito com o discurso da administração técnica, em oposição ao estilo "tradicional" de se fazer política, o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), esbarrou na morosidade da estrutura pública para alcançar resultados mais rápidos neste primeiro ano de mandato. Esse período inicial, que se encerra sem grandes obras, se caracterizou pela tentativa de colocar a casa em ordem, depois das turbulências vivenciadas pela cidade na gestão anterior, com denúncias de corrupção envolvendo integrantes do alto escalão municipal. A avaliação é de especialistas ouvidos pela FOLHA. Nas palavras do professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart, "neste ano o prefeito montou uma plataforma de procedimentos administrativos". "O discurso da campanha era mais empresarial, mas a estrutura da administração é morosa."

Sobre essa plataforma, Kireeff obteve êxito importante, segundo o analista, no relacionamento institucional entre prefeito e vereadores. "As mudanças técnicas ficaram a desejar, mas politicamente houve avanços. Um grande avanço foi a renovação do diálogo entre Executivo e Legislativo. Não percebi aquela velha política do poder de veto predominando. Ainda que haja tensão, o que é positivo para a democracia, o debate entre os poderes tornou-se público nesta administração." Bannwart lembrou que as pesquisas mostram que o apoio da população à gestão Kireeff persiste.

Segundo recente levantamento feito pelo Instituto Multicultural/Rádio Paiquerê AM, o apoio chega a 51,3%. No início do mandato o índice era de 77%. A pesquisa também questionou eleitores sobre a situação da cidade e 48,2% consideram que "está parada", 31,6% "se desenvolvendo".

Uma das principais causas do prestígio de Kireeff junto ao londrinense, conforme o professor de ética e filosofia política, também da UEL, Elve Cenci, é o esvaziamento da pauta policial no prédio da prefeitura. Embora o Instituto de Desenvolvimento Urbano (Codel) esteja sendo alvo de investigação do Ministério Público (MP) sobre suposta propina a servidores para doação de terrenos, a crise não respinga no primeiro escalão. "Ele pôde fazer a nomeação do primeiro escalão com total liberdade, mas nos escalões intermediários o prefeito não tem como interferir diretamente."

Cenci avalia que o maior desafio para o prefeito Alexandre Kireeff no próximo ano é melhorar a saúde em Londrina. "Ele tem um relatório mostrando que a demora no atendimento caiu de seis para três horas. Reduziu, mas o cidadão não quer ter espera nenhuma." Para o professor, a "sucessão de trapalhadas" na elaboração do concurso para a contratação de servidores na Secretaria de Saúde também respinga na bandeira da gestão técnica. "Beneficia o discurso político da oposição, criticando a técnica."

Do ponto de vista político, Cenci também aponta avanços da gestão. Com o apoio junto a diversos segmentos sociais, seria "suicídio político", de acordo com o professor, se algum parlamentar ensaiasse oposição sistemática e individual ao prefeito.

Em recente entrevista à FOLHA, o prefeito garantiu que não faz campanha "para ninguém", referindo-se à disputa eleitoral do ano que vem. Para Cenci a única possibilidade dessa ausência dos palanques será se não houver candidato do PSD. O partido tem divulgado o nome do empresário Joel Malucelli como candidato ao governo do Paraná. "Sem candidato do PSD, acho que o prefeito vai fugir dos palanques. Afinal não tem perfil de petista para fazer campanha - a senadora Gleisi Hoffmann (PT) é virtual candidata - e quanto ao Beto Richa (PSDB) , apesar de manterem um relacionamento amigável, o governador batalhou até o final para que Marcelo Belinati (PP) vencesse as eleições municipais em Londrina e seria complicado agora estar ao lado dele no palanque."

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