Gestão de Ratinho Junior deve perder 15 secretários
Integrantes do primeiro escalão deixam o governo para disputar pleito de outubro; sucessor do governador só será definido após o dia 4 de abril
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de abril de 2026
Integrantes do primeiro escalão deixam o governo para disputar pleito de outubro; sucessor do governador só será definido após o dia 4 de abril

Curitiba - Pelo menos 15 integrantes do primeiro escalão do governo de Ratinho Junior (PSD) deverão deixar seus cargos nesta semana para disputar as eleições de outubro. O prazo para desincompatibilização termina no próximo sábado (4 de abril). Cotado para ser o presidenciável do PSD, Ratinho Junior anunciou na semana passada que ficará no governo do Estado até o fim do seu mandato, em dezembro, mas ainda não definiu seu sucessor.
Guto Silva, secretário das Cidades, já anunciou que deixa o cargo nesta quinta-feira (2) e ainda espera ser o escolhido por Ratinho Junior para disputar o governo pelo PSD. O nome perdeu força após as últimas pesquisas, mas o governador começa a ficar sem opções. Secretário do Desenvolvimento Sustentável, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca migrou para o MDB e recusou convites para ser candidato a vice ou a senador na composição liderada pelo governador.
Entre os que ainda permaneciam no PSD, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, se filiou na tarde desta quinta-feira, em Brasília ao Republicanos para disputar o governo do Estado.
Outro cotado era o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Na segunda-feira (30), Pimentel negou a possibilidade de deixar a Prefeitura e disse que havia apenas uma “especulação” sobre seu nome. A tendência é que Ratinho Junior defina o candidato do PSD somente depois do prazo de desincompatibilização.
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DE SAÍDA
Além de Guto Silva e Rafael Greca, outros ocupantes de cargos de primeiro escalão deverão deixar a administração nesta semana. Três secretários tentarão a reeleição para deputado federal em outubro: Beto Preto (PSD), da Saúde; Leandre Dal Ponte (PSD), da Mulher e da Igualdade Racial; e Marco Brasil, da Indústria e Comércio. Do Carmo (União Brasil), da Secretaria do Trabalho, deverá tentar a reeleição para deputado estadual.
Entre os que deverão disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados também estão os secretários da Administração, Luizão Goulart (PSD); do Desenvolvimento Social, Rogerio Carboni (MDB); da Infraestrutura, Sandro Alex (PSD); e do Turismo, Leonaldo Paranhos (PSC).
Já o que podem tentar uma vaga de deputado estadual são os secretários da Agricultura, Márcio Nunes; da Inovação; Alex Canziani (PSD); da Justiça, Valdemar Bernardo Jorge (Novo); e do Esporte, Helio Wirbiski (Cidadania). O secretário-chefe do gabinete de governo, Darlan Scalco (PSD), também deverá concorrer a uma vaga na Alep.
RECOMPOSIÇÃO
Após a filiação do senador Sergio Moro ao PL, na semana passada, Ratinho Junior vem tentando recompor sua base. Além do PL, o Partido Novo também anunciou apoio à candidatura de Moro. Nos últimos dias, o governador agiu para manter o União Brasil (partido de Sergio Moro até a semana passada) no seu campo político. A tendência é que os apoiadores do senador, como o deputado estadual Mauro Moraes migre para o PL, como já fez o também deputado estadual Tito Barichello.
Quem pode ganhar destaque com a nova configuração é Cristina Graeml, que ficou em segundo lugar nas eleições municipais de Curitiba em 2024. Filiada em setembro ao União Brasil, ela tinha a promessa de Moro de que seria a candidata do União ao Senado – ao se filiar no PL, entretanto, o ex-juiz da Lava Jato se comprometeu a apoiar as candidaturas do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol. Cristina Graeml poderá ser candidata a vice na chapa apoiada por Ratinho Junior ou ainda disputar vaga ao Senado.
Ratinho Junior ainda terá que agir para manter outros partidos que integraram a coligação que o ajudou a se reeleger em 2024, como o MDB de Rafael Greca e o Republicanos, que filiou Alexandre Curi. O PP, que tem como principal líder no Paraná o deputado federal Ricardo Barros, também entra na conta. O partido tinha recusado o apoio ao Moro pela federação União Progressista (formada com o União Brasil), mas setores estariam se aproximando do senador. O PP pode ainda apoiar Greca ou a eventual candidatura de Curi, ou mesmo lançar candidato próprio.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.





