Gestão Beto vai para quinto secretário de Segurança
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de maio de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Em menos de cinco anos completos da gestão Beto Richa, Wagner Mesquita será o quinto secretário de Segurança Pública do Paraná. Ele ocupa, mesmo que interinamente, o lugar deixado por Fernando Francischini que ficou no cargo por pouco mais de quatro meses. A pasta, historicamente complicada e estratégica dentro do governo, está com a imagem desgastada frente à população depois da repressão imposta aos manifestantes durante o protesto da semana passada; e também pelo conflito que se instalou entre o comando da PMPR e a chefia do órgão.
O deputado federal pelo Solidariedade tinha entrado no lugar de Leon Grupenmacher, que era diretor-geral da Polícia Científica, e que ficou à frente da Secretaria entre março e dezembro de 2014. Anteriormente, Cid Vasques respondia pela pasta. Sua saída do comando da Segurança Pública foi conturbada.
O procurador do Ministério Público (MP) alegou atritos com seu órgão de origem, que chegou a acionar a Justiça com objetivo de cancelar a licença dele para comandar a Sesp. No cerne da questão estava o rodízio de policiais cedidos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que a Sesp tentou implantar. A medida foi suspensa pelo governador após uma série de polêmicas. Vasques substituiu Reinaldo de Almeida César, delegado federal, que ficou no cargo por quase dois anos, saindo em março de 2012.
"Apesar de entender que estas trocas tenham ocorrido com certa normalidade, elas podem indicar um problema na construção de um projeto. Ainda mais na velocidade em que elas ocorreram", afirmou o sociólogo e coordenador do Centro de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê.
Ainda conforme o professor, a batalha campal da última semana e as manifestações que se seguiram ao episódio, apontaram que existe uma "crise institucional" de grandes proporções. ``O fato de ter se tornado pública demonstra a gravidade da situação. A mudança do secretário ocorreu porque era algo insustentável. Agora tem que haver diálogo entre as instituições, isso é fundamental´´, completou.
Bodê, entretanto, ressaltou que, apesar da mudança, quem está assumindo interinamente é alguém que fez parte da gestão de Francischini e que, consequentemente, compartilhou informações sobre os procedimentos adotados, o que pode dificultar um entendimento com as instituições que compõem a Sesp.
Para Algacir Mikalovski, delegado da Polícia Federal e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Segurança Pública e Privada da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), esta "dança das cadeiras" pode ser reflexo da crise econômica e política pelos quais o Poder Executivo, tanto na esfera estadual, municipal e federal estão passando. "Esta situação gera uma insegurança pública e também uma insatisfação das instituições que integram o órgão (Polícia Militar e Polícia Civil), inclusive pela falta de recursos. E, se existe uma insatisfação há pressão pela troca", disse.
Segundo Mikalovski, a permanência de um secretário de Segurança no cargo fica difícil quando as instituições que compõem a pasta têm interesses divergentes. "O secretário precisa de apoio irrestrito das instituições que integram a Secretaria. Sem isso é praticamente impossível fazer uma gestão", ressaltou. Conforme o delegado, tanto o interino Wagner Mesquita, quanto qualquer outro que for assumir o cargo tem o desafio de estabelecer uma coesão dos grupos que compõem a instituição e resgatar o aval da sociedade para conseguir fazer um bom trabalho. "Se a Segurança Pública não está bem, a sociedade será a maior prejudicada", completou.


