Gerentes do BB teriam acessado contas antes da PF
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de setembro de 2006
Expedito Filho e Luiz Weber<br>Agência Estado 
São Paulo- O Banco do Brasil (BB) detectou que as contas dos empresários Abel Ferreira, ligado ao tucano Barjas Negri, ex-ministro da Saúde do governo de Fernando Henrique Cardoso, e Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das ambulâncias, foram acessadas pouco dias antes da operação da Polícia Federal que flagrou petistas negociando com o dono da Planam um dossiê contra políticos tucanos.
Os investigadores do BB não descartam que os acessos tenham sido efetuados pelos respectivos gerentes das contas de Abel e Vedoin. Mas tal procedimento seria atípico. E pesa contra essa hipótese o fato dos acessos terem ocorrido às vésperas da prisão dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, período em que, segundo as escutas legais feitas pela Polícia Federal, a confecção do dossiê estava em pleno andamento.
As prisões ocorreram no último dia 15. A suspeita é de que para chegar a essa documentação o ex-vice-presidente de Análise e Risco do BB, Expedito Veloso, tenha patrocinado a violação do sigilo dos dois empresários.
A quebra do sigilo de Abel e Vedoin teria como finalidade construir um conjunto de provas bancárias para dar veracidade e credibilidade ao dossiê contra políticos tucanos. Abel seria, na versão de Vedoin, um beneficiário de propinas do esquema. O PT queria, assim, pespegar no PSDB a pecha de sanguessugas. No total, 15 cheques e depósitos bancários de Vedoin para Pereira compunham o dossiê negociado pelo PT por R$ 1,75 milhão. Tal violação de sigilo não teria sido executada diretamente por Expedito, segundo levantamento realizado pelo BB.
De acordo com fontes do BB, o funcionário que violou o sigilo bancário de Ferreira e Vedoin para abastecer o dossiê contra os tucanos poderá se beneficiar de uma espécie de ''delação premiada''. Isso porque a posição hierárquica de Expedito no banco dava-lhe poder de exigir de qualquer subalterno acesso às contas dos correntistas. Ou seja, ao colaborar com as investigações internas, relatando os meandros da operação, não sofreria nenhuma sanção funcional.
Por essas suspeitas, a Justiça Federal de Mato Grosso incluiu o BB entre as instituições financeiras que terão operações rastreadas na apuração da origem dos recursos usados por petistas para tentar comprar o dossiê contra tucanos.
Na terça-feira, o Serviço de Inteligência do banco entregará ao deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da CPI dos Sanguessugas, os primeiros dados da auditoria interna. O deputado está convencido de que Expedito quebrou o sigilo de Vedoin e Pereira e deveria estar preso. Ele chegou a essa conclusão depois de uma conversa com o próprio Expedito, quando o ex-vice-presidente do BB contou que coletou cheques de Vedoin para Pereira com as respectivas confirmações de depósitos bancários. ''Os fatos vão revelar a verdade. E a verdade é que não sou capaz de tirar uma casca de coco de alguém. Sou um ser humano que não feriu seus valores morais'', disse Expedito.


