Funcionários da agência Cidade Canção da Caixa Econômica Federal, em Maringá, confirmaram ontem que cheques da prefeitura eram descontados na ‘‘boca do caixa’’. Dez dos 13 funcionários convocados prestaram depoimento à Justiça Federal sobre a ação referente ao desvio de R$ 2,6 milhões da Prefeitura de Maringá entre o final de 1998 e início de 1999. São acusados o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi e os servidores municipais Rosimeire Castelhano Barbosa, Jorge Aparecido Sossai e Waldemir Ronaldo Corrêa.
Os gerentes da Caixa disseram que os valores de cheques descontados variavam de R$ 10 mil a R$ 40 mil e que o dinheiro era sempre apanhado por Rosimeire Castelhano, então tesoureira da prefeitura. O primeiro a depor, o gerente geral Osvaldo Kazuaki Nagata, disse conhecer Paolicchi, Rosimeire e os outros dois acusados. Ele confirmou que Paolicchi ou Rosimeire fazia a provisão de retirada e no momento combinado o dinheiro era apanhado na agência. ‘‘Acho que o dinheiro supria a tesouraria da prefeitura’’, arriscou.
Nagata confirmou ainda que cheques nominais à prefeitura eram enviados à agência com orientação para transferência, via documento bancário, para contas indicadas por Paolicchi. Ele alegou que não havia irregularidade na forma como as operações eram feitas. Disse ainda que algumas vezes funcionários da Caixa levaram valores descontados até a prefeitura. O dinheiro era entregue diretamente a Paolicchi.
Outro gerente da agência, André Luiz Sebraio Sanches Salina, confirmou que algumas vezes Rosimeire Castelhano telefonava solicitando a disponibilidade de numerários. Os outros dois gerentes e os seis caixas executivos ouvidos pela Justiça Federal não passaram nenhuma informação diferente.
Para o procurador da República, Natalício Claro da Silva, os depoimentos mostraram que Rosimeire sabia sobre a destinação dos cheques, ‘‘apesar de ter alegado em depoimento que os cheques eram entregues a Paolicchi’’. Ele adiantou ainda que contra Sossai e Corrêa existem outros elementos que sustentam a acusação. O advogado Wagner Pacheco, que defende Paolicchi, disse que já achava o depoimento de ontem ‘‘sem função’’.
O juiz federal Anderson Furlan explicou que os depoimentos de ontem foram os últimos – os outros três foram dispensados. Agora o processo entra na fase de alegações e se não for pedida mais nenhuma diligência vai para a julgamento. O único obstáculo agora, segundo ele, é o término da perícia solicitada pela defesa de Paolicchi nas declarações do imposto de renda e dos imóveis do ex-secretário. Pela projeção do juiz até o final de abril ou início de maio o processo será julgado. (M.Z.)

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