O presidente da Sercomtel, João Rezende, evitou ontem fazer comentários sobre a sindicância interna que investiga o vazamento de documentos e contas detalhadas da empresa, encontrados com o detetive particular Paulo Rodrigues. Entretanto, ele confirmou que alguns gerentes foram demitidos por ordem de diretores da empresa mas ressalvou que não há nenhuma ligação com a sindicância. ''Um foi demitido por causa dos problemas na ADSL e os outros foram mudanças rotineiras'', garantiu Rezende. Mudanças na diretoria, segundo o presidente da Sercomtel, só ocorrerão no fim do ano. ''Até o Nedson (Micheleti) escolher o novo secretariado, vão ocorrer muitos boatos'', adiantou.
Sobre as investigações internas, Rezende avisou que: ''A sindicância será sigilosa porque vamos fazer mudanças internas e porque não posso dar milho para o meu inimigo''. Ele explicou que um diretor da empresa acompanhado de um funcionário da área de informática e outro da segurança estão investigando internamente o suposto vazamento de documentos. ''Não sou polícia, o que vou fazer é ver as vulnerabilidades da empresa e de onde pode ter vazado isso (os documentos) para tomar medidas de segurança interna'', apontou.
A Folha tentou novo contato com o detetive Paulo Rodrigues mas ele não estava em sua residência. De acordo com a Sercomtel, o telefone celular de Rodrigues está bloqueado para receber chamadas a pedido do próprio cliente. O telefone está no nome de Norma, esposa de Rodrigues. Ele prestou depoimento à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) sobre os documentos encontrados em sua posse mas não esclareceu como conseguiu obter os papéis, cujo acesso é restrito a poucos funcionários da empresa de telefonia.
A Folha conseguiu contato com o pai do detetive, Salvador Rodrigues, e ele afirmou só ter tomado conhecimento do fato ontem pela própria reportagem. ''Estava em viagem e ainda não falei com ele'', justificou. Salvador Rodrigues disse que Paulo Rodrigues está na cidade e forneceu o número do celular do filho. Quando foi informado, posteriormente, que o telefone estava bloqueado, Rodrigues se limitou a dizer que o filho não deve querer contato com ninguém. ''Não sabia que estava bloqueado, se ele bloqueou é porque não quer falar'', ponderou.
Salvador Rodrigues Filho estava no escritório de Salvador Rodrigues e disse que só Paulo Rodrigues poderia responder a qualquer questionamento. Ele salientou que não seria possível localizá-lo, dando a entender que Paulo está realmente se esquivando da imprensa. Questionado sobre a formação de Paulo, Salvador Filho disse apenas que ele é detetive e que não sabia mais detalhes porque não era irmão dele. ''Só o sobrenome é o mesmo'', despistou.
Segundo o coordenador da PIC, Leonir Batisti, contas telefônicas de Nedson Micheleti (PT) e do secretário de Obras Aloysio Crescentini estavam com o detetive juntamente com documentos de ordens judiciais solicitando informações de alguns assinantes para dar encaminhamento a processos. Entretando, Batisti frisou que entre os pedidos de quebra de sigilo e informações não havia nenhum relacionado ao prefeito ou a seu secretário. A PIC ainda não sabe por que essas contas detalhadas estavam com o detetive.

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