Gerente jurídico da Telepar é preso pela CPI do Grampo
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
A CPI da Telefonia criada pela Assembléia Legislativa para investigar denúncias de escutas telefônicas ilegais no Palácio Iguaçu e em comitês eleitorais deu ontem voz de prisão ao gerente jurídico da Telepar Brasil Telecom, Sérgio Vosgerau, por falso testemunho. A prisão foi decidida por unanimidade dos membros no início da noite, depois do segundo depoimento do gerente da Telepar à comissão. Segundo o presidente da CPI, deputado Tony Garcia (PPB), ele deu respostas evasivas, desviando o curso do depoimento durante a acareação com a ex-secretária de Administração Maria Elisa Paciornik. Vosgerau saiu sem dar entrevistas.
Vosgerau sustentou, em seus dois depoimentos, que não havia grampo no telefone da ex-secretária. O que foi detectado, de acordo com ele, foi apenas um fio paralelo, considerado uma anormalidade técnica que não permitiria escuta ilegal. No entanto, o grampo foi constatado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), cerca de um mês depois que o grampo foi denunciado, em outubro de 1999, conforme relato do procurador-chefe da PIC, Dartagnan Abilhôa que acompanha os trabalhos da CPI.
O ex-funcionário da Telepar Jefferson Martins Storrer e Edgar Fontoura Filho, ex-responsável pelo setor de Segurança da Telepar, admitiram que seria possível fazer escuta no telefone de Maria Elisa.
Durante a acareação (que envolveu técnicos e ex-funcionários da Telepar, além da ex-secretária), a CPI recebeu uma consulta do juiz designado Fernando Ferreira de Morais, da Central de Inquéritos. O juiz solicitava esclarecimentos sobre a comissão porque recebera um pedido de habeas-corpus preventivo em nome de Vosgerau e Jamil Silvestre, técnico de rede da Telepar que também negou a existência de grampo no telefone de Maria Elisa. No embasamento do pedido, constava que Garcia fez ameaças de prisão antes dos depoimentos serem tomados. Segundo o presidente da CPI, Silvestre não foi preso porque emitiu seu parecer técnico. Mas o advogado ficava repetindo frases feitas, argumentou.
A CPI deu voz de prisão pouco antes do juiz tomar sua decisão. No entanto, poucos minutos depois, Morais concedeu o habeas-corpus preventivo.
O advogado da Telepar, Pedro Estevão, classificou a prisão de indevida e abuso de poder. O advogado anunciou que vai recorrer. Vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis. Estevão afirmou que a intenção da CPI foi apenas criar um fato político. Ele disse ainda que a CPI não fez uma acareação. O relator Algaci Túlio (PTB) rebateu e garantiu que os deputados conduziram corretamente a acareação. A expectativa era que Vosgerau, encaminhado ao 3º Distrito Policial, fosse libertado em breve.


