Era para ser uma visita casual, mas a passagem de gerentes da Sanepar na Câmara de Vereadores de Londrina, ontem à tarde, reacendeu a polêmica sobre os rumos dos serviços de água e esgoto na cidade. Está em execução atualmente a quinta prorrogação emergencial de contrato a quarta de 180 dias entre a estatal e a Prefeitura, e tramita na Câmara há mais de um ano e meio o projeto do Executivo que pede para si o gerenciamento da tarefa. Não há previsão de quando a matéria seguirá para votação, mas o gerente-geral da empresa na Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, surpreendeu imprensa e parlamentares ao afirmar que, ''até dia 20, o novo contrato com a Prefeitura está assinado''.
Bahls deu a declaração na sala da Assessoria de Imprensa do Legislativo durante uma das ausências do presidente da Sanepar, Stênio Jacob. Questionado sobre o estabelecimento da data, o gerente-geral disse apenas: ''Esperem, vocês vão ver''. Em seguida, negou que ela tenha vindo de algum acordo pré-estabelecido com a administração municipal. ''É pelas conversas que temos tido por aí'', desconversou, sem citar supostos interlocutores.
Além do comentário sobre uma provável assinatura de contrato, Bahls também negou que o gerenciamento estabelecido no projeto do Executivo seja da forma como foi estabelecido. Pelo documento, caberá à Prefeitura, por meio da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), ''todos os atos de planejamento, controle e fiscalização'' na gestão proposta. Para o gerente, trata-se, ''na verdade, de gerenciamento do contrato, não do serviço''. ''Não acredito que nunca tenham dito nesses termos de forma proposital; talvez não tenham entendido como é a gestão de contrato '', avaliou.
Em seguida, porém, o próprio presidente da estatal contradisse o colega. Jacob afirmou que não aceita disputar licitação com outra empresa, como sugerido no relatório da comissão de vereadores que estudou o projeto, e ainda criticou o Plano Nacional de Saneamento, em tramitação no Congresso, e que delega aos municípios a definição da tarifa. ''Acredito que ele será detonado, pois teve mais de 700 emendas. A meu ver, é inaplicável'', definiu.
Jacob já fala em novo contrato com a Prefeitura de Londrina, ''com metas definidas'', mas garantiu que é atribuição do prefeito Nedson Micheleti (PT) gerenciar da forma que o Executivo achar ideal. ''Não vou dizer ao município o que ele deve fazer é papel dele acompanhar, fiscalizar e planejar do modo que achar certo'', concluiu.
Se ao falar de ''novo contrato'' a Sanepar abre mão do termo aditivo de 1996 que prorrogava, a partir de 2003, o contrato de década de 1970 por mais 30 anos , o presidente admite que sim. ''Até abrimos mão do aditivo, com certeza'', disse, referindo-se ao dispositivo assinado na época do então prefeito Luiz Eduardo Cheida, mas não reconhecido pela atual gestão municipal.

mockup