Curitiba- O gerente geral da agência XV de Novembro, Odair Turchetti, confirmou ontem que tinha conhecimento da existência de transações realizadas por empresas exportadoras através da chamada operação ''pink''. No entanto, ele disse que nada podia fazer para evitar as transações porque não havia como provar a fraude. De acordo com as investigações feitas pela CPI do Banestado e pelo Ministério Público Federal (MPF), as empresas utilizavam dois jogos de documentos de guia de exportação para cada transação. No primeiro jogo de documentos (feito com as folhas branca e verde), era colocado o valor da venda para fins de tributação. Na guia rosa (por isto o nome pink), era colocado o valor total da venda realizada no Exterior. O valor era recebido por um doleiro e depositado numa conta corrente, com o débito da comissão. ''Uma transação poderia ser declarada no Brasil como sendo de um total de R$ 70 mil. Mas se cobrava R$ 100 mil do exportador. Os outros R$ 30 mil eram livres de tributação e eram depositados em paraísos fiscais'', explicou o deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), presidente da CPI do Banestado.
Turchetti respondeu uma auditoria interna dentro do Banestado no dia 3 de abril de 1996. De acordo com documentos encaminhados e analisados pelos parlamentares, ele teria facilitado uma operação do Curtume Três Américas, supostamente de propriedade de uma pessoa identificada como Jaime Timóteo. A operação teria sido de US$ 104 mil e teriam rendido para o empresário US$ 44 mil. O doleiro que teria feito a exportação de couro teria recebido 4% do valor em comissão. O gerente negou que conhecesse a empresa ou tivesse relacionamento com Timóteo. O sócio do curtume seria um irmão do ex-gerente. ''Não conheço o proprietário. Vi algumas vezes na agência, mas não tive contato com ele'', afirmou.
A Folha tentou contato com o curtume, que teria sede em Terra Boa, e com o suposto empresário, mas não conseguiu localizá-los. A ex-assessora da gerência da agência da XV, Lurdes Maria Perin Vieira, irmã de Valdir Perin (que foi levado cinco vezes para a CPI do Banestado para prestar esclarecimentos), disse ontem que nunca teve conhecimento de qualquer transação ilegal feita em Curitiba ou em Nova York, onde seu irmão era gerente. Ela trabalhava com a carteira de câmbio em substituição a Eraldo Ferreira, que confessou fazer transações pink e cabo (abertura de contas no Exterior através de doleiros) entre os anos de 1993 e 1996. Ela era a responsável por fazer os códigos de acesso às contas dos clientes na agência do Banestado de Nova York. ''Eu mesma fazia esta chave para o cliente. Nunca vi volume extraordinário de dinheiro sendo remetido para o Exterior'', informou. Lurdes autorizou a quebra do seu sigilo fiscal e bancário.
Outra ex-assessora da agência da XV, Cristina Barwinski, disse que somente soube das operações irregulares na época em que Ferreira foi demitido. As irregularidades, segundo Cristina, teriam começado quando Turchetti assumiu a gerência do banco. O ex-vice-presidente administrativo do Banestado, Valmor Picolo, também negou ter conhecimento das operações ilegais antes de ter recebido e lido a carta enviada por Ferreira.

mockup