Agência Estado
De São Luís
Interrogado ontem durante quatro horas pelo juiz José Joaquim Figueiredo dos Anjos, da 2ª Vara Criminal, na reabertura do processo sobre o assassinato do ex-delegado Stênio Mendonça, o ex-deputado José Gerardo de Abreu (sem partido) voltou a negar o seu envolvimento com o crime organizado no Maranhão. Gerardo disse que não mandou matar o delegado nem o seu ex-funcionário Carlindo Sousa Cunha.
O ex-deputado, preso há dois dias em cela comum no comando-geral da Polícia Militar, atribuiu a cassação de seu mandato à perseguição política. ‘‘Nunca fiz parte de grupo, a não ser o da minha família’’. Gerardo negou ter participado de reuniões em Campinas (SP) com o advogado William Sozza, o deputado Augusto César Farias (PPB-AL) e o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido). ‘‘Não conheço essas pessoas e nunca estive em Campinas.’’
Gerardo fez acusações ao presidente da Assembléia Legislativa do Maranhão, deputado Manuel Ribeiro (PSD). O ex-deputado afirmou que Ribeiro tem hoje um patrimônio suspeito que precisa ser investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). ‘‘Ele tem quatro aviões, uma ilha, uma emissora de TV e o maior projeto de soja do Maranhão’’, disse.
Segundo Gerardo, que solicitou à Justiça a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Ribeiro, o presidente da AL também teria sido anistiado em um débito junto ao Banco do Estado do Maranhão.
Ribeiro negou todas as acusações e argumentou que Gerardo está em desespero de causa. ‘‘Ele ficou perdido, tem muitos crimes para responder e precisa agora bater em todo mundo.’’ Ribeiro disse que pretende entrar com uma ação criminal contra Gerardo. ‘‘Essas artimanhas de advogados não vão livrar Gerardo da condenação’’ , disse.

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