Geraldo Quintão é o substituto
Agência Estado
De Brasília
Mesmo depois de dizer aos jornalistas que o presidente Fernando Henrique só anunciaria hoje o substituto de Élcio Álvares no Ministério da Defesa, o porta-voz do Palácio do Planalto, Georges LamaziSre, informou ontem, no final do dia, que o advogado-geral da União, Geraldo Magela Quintão, foi escolhido por FHC para o cargo.
LamaziSre afirmou que a escolha de Quintão se deveu, entre outros fatos, à competência profissional, experiência e conhecimento do Estado brasileiro, à proximidade dele com o presidente da República e também ao fato de ele gozar da inteira confiança do presidente.
O Senado, Casa em que o ex-ministro da Defesa Élcio Álvares foi o líder do governo durante quatro anos e da qual esperava suporte político para se manter no cargo, deixou ontem de manifestar-se contra a demissão dele. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que, na semana passada, mostrou-se disposto a apoiar Álvares, limitou-se a afirmar pela manhã que quem nomeia e demite é o presidente.
O senador Gérson Camata (PMDB-ES) iria fazer um pronunciamento em defesa do ministro, que deveria receber apartes de solidariedade de diversos líderes parlamentares, mas foi dissuadido pelos colegas. Também foi abandonada por um grupo de senadores a idéia de fazer um apelo a FHC pela manutenção do ministro. Não adianta mais nada, isto é matéria vencida, teria comentado ACM. Ele errou com as entrevistas, disse o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), para quem o problema não eram as denúncias de que o ministro estaria envolvido com irregularidades no Espírito Santo, mas a maneira do ministro de lidar com elas.
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que, junto com o vice-presidente Marco Maciel, foi um dos responsáveis pela indicação de Álvares para a pasta da Defesa, também criticou o ministro ontem pelos ataques feitos aos colegas. Nos últimos dias, ele estava fazendo política no tempo errado, afirmou.
CRONOLOGIA DA CRISE
- 15 de dezembro
Solange Antunes, assessora e pessoa de confiança de Élcio Álvares, tem os sigilos quebrados pela CPI do Narcotráfico
- 17 de dezembro
O comandante da Aeronáutica, Walter Brauer, critica a assessora e é demitido. Álvares fica, mas desgastado com os militares
- 18 de janeiro
Álvares critica os ministros José Serra (Saúde) e José Carlos Dias (Justiça), amigos de FHC, e é demitido
- O último dia
11h30 - Na Base Aérea de Anápolis, Élcio Álvares diz, em entrevista à TV, que não pedirá demissão, mas dá a entender que pode deixar o cargo. O presidente nomeia, o presidente demite, diz
12h35 - Álvares chega à Base Aérea de Brasília
13h10 - Ao chegar para almoço no Comando da Marinha, o ministro repete que não pedirá demissão e diz que o ministro José Serra (Saúde) não fala com ele desde que Álvares entrou no governo
14h20 - Acaba o almoço. Álvares conversa com jornalistas e sai, segundo ele para ir ao Palácio do Planalto, mas acaba indo diretamente para o Palácio da Alvorada
15h12 - Élcio Álvares entra no Palácio da Alvorada para encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso
16h11 - FHC deixa o Palácio da Alvorada de carro, seguido pelo ministro, que diz aos jornalistas que foi demitido, mas fica no cargo até a escolha de seu sucessor. Élcio Álvares vai para o ministério, onde despacha normalmente até o fim da tarde
17 horas - FHC se reúne com os ministros Pedro Parente (Casa Civil), Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria Geral) e Alberto Cardoso (Segurança Institucional) para discutir a sucessão na Defesa. (A.F.)





