São Paulo O elevado grau de exigência do eleitorado nestas eleições é uma das principais razões que motivou a centralização dos debates e propostas dos candidatos à Presidência da República em uma questão prioritária para o brasileiro: a geração de empregos. ''O eleitor amadureceu, está mais realista, quer soluções concretas. Por isso, não adianta mais ficar fazendo apenas promessas ou simplesmente criticar'', avalia a analista de pesquisas do Grupo Estado, Fátima Pacheco Jordão.
Na opinião dela, já que os discursos dos candidatos estão focados no emprego, a grande ênfase deverá ser na solução: ''O diferencial está no diagnóstico das propostas, o Serra (candidato do PSDB) começou a fazer isso no segundo dia do programa do horário eleitoral gratuito; a campanha do Lula (candidato do PT) começa a perceber a importância do detalhe e também passa a dar esse foco à questão''.
Fátima Jordão destaca também que o emprego já esteve fortemente presente nas campanhas eleitorais passadas, porém, nunca houve a preocupação em detalhar as propostas que levariam à geração dele, como está ocorrendo agora.
Segundo o especialista em marketing político e diretor da empresa Unidade de Pesquisas S/C Ltda, Sidney Kuntz, o emprego tornou-se a questão central porque é através dele que se resolvem outras questões prioritárias para os brasileiros, como a violência e a fome. ''Apesar do foco estar correto, acredito que está faltando a apresentação de referências na abordagem do tema'', reitera Kuntz.
De acordo com ele, não adianta apenas citar números, pois para grande parte do eleitorado isso é muito vago, é preciso trazer os números para a realidade do eleitor. Outro ponto destacado por Kuntz é a falta de abordagem regional na apresentação das propostas dos principais candidatos.
Para o sociólogo e diretor do instituto de pesquisas online Diga-me, Marcelo Ferraro, as pesquisas realizadas com o eleitorado estão cada vez mais sendo utilizadas como subsídio aos comandos de campanha. ''A questão do emprego, por exemplo, já estava sendo delineada há algum tempo pelas pesquisas como uma das prioridades dessas eleições. O foco não era mais simplesmente a questão econômica'', destaca Ferraro.
Assim como Fátima Jordão, ele também atesta que o eleitorado de hoje quer propostas concretas: ''As pessoas querem alguém que as ajudem a encontrar o caminho para vencer o desemprego''.

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