Genro vence e vai para o 2º mandato em Porto Alegre
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domingo, 29 de outubro de 2000
Agência Folha De Porto Alegre 
O candidato do PT, Tarso Genro, elegeu-se prefeito de Porto Alegre, com 63,51% dos votos válidos contra 36,49% de Alceu Collares (PDT). A diferença final entre os dois candidatos foi de 209,2 mil votos. Será o segundo mandato de Tarso, que foi prefeito de 1993 a 96, na série de quatro gestões petistas consecutivas na capital gaúcha.
Tarso, 53 anos, esperou o resultado da boca-de-urna na Restinga, um bairro da periferia. O perfil da nossa administração nos levará primeiro às vilas e bairros e depois ao centro. Ele prometeu, como prioridade, combater a miséria absoluta.
Collares, 73 anos, reconheceu a derrota a partir do resultado da boca-de-urna. O povo decidiu e cabe ao candidato derrotado curvar-se à vontade do povo. Eles (do PT) têm que dar ao povo das vilas aquilo que prometeram.
O petista disse ter levado uma lição de política do povo de Porto Alegre ao ser obrigado a disputar o segundo turno (no primeiro ele teve 48,72% dos votos). A população, sabiamente, quis saber a seriedade e a profundidade dos programas dos candidatos.
Referindo-se ao projeto nacional do PT, afirmou que o fim último do partido é mudar o País, alcançando a utopia de constituir uma sociedade em que a pobreza seja erradicada e as pessoas tenham direitos iguais, emprego e renda. Tarso criticou a campanha empreendida por seu oponente. Ele apenas se preocupou em ser o anti, ser o contra. Quem faz uma frente anti tem uma perspectiva vazia do futuro.
Collares criticou as pesquisas, que o colocavam em desvantagem. As pesquisas têm demonstrado que não são científicas e, às vezes, são manipuladas, afirmou. De acordo com ele, a Frente Ampla, que o sustentou no segundo turno, cumpriu uma tarefa histórica e educativa, no sentido de mostrar ao PT que ele não é o único partido nem é hegemônico e precisa assumir a concepção de partido pluralista, descendo do alto de sua vaidade e intolerância.
O pedetista afirmou que o PT vive em uma dualidade, querendo o poder pelo voto, institucionalmente, e pelo caminho revolucionário, por meio do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ou é um partido para conviver na democracia ou é um movimento que quer chegar ao poder pela força.


