Brasília - Passados mais de dois meses da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e diante das críticas da inércia do governo e da falta de projetos para as reformas pretendidas, o presidente nacional do PT, José Genoino, pede pressa no envio ao Congresso Nacional das propostas de reformas da Previdência e tributária e uma melhor articulação dos programas sociais.
''A questão agora é puxar o governo para o ritmo do presidente Lula, que tem sido excelente. Temos de botar a máquina para funcionar mais rapidamente. Pôr o carro em velocidade maior'', disse Genoino. ''Até agora o governo estava sendo montado. Chegou a hora de todos nós arregaçarmos as mangas. Achar uma velocidade boa para a atuação do governo.'' Isso, na visão de Genoino, deve ocorrer com a aceleração do envio dos projetos das reformas ao Congresso.
''Acho que poderíamos fazer um modelo para as reformas, complementando-o depois, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), nas negociações com os governadores e prefeitos e com os deputados e senadores. Com isso, ganharíamos tempo'', afirmou Genoino.
Entre as críticas feitas ao PT está justamente a de o partido não ter projeto e de procurar montá-lo agora, utilizando para isso o CDES e os governadores. Um dos críticos é o PPS, partido aliado de Lula.
O momento também é de consolidação das bases governistas nos Congresso, disse o presidente do PT. O presidente Lula está oferecendo ao PMDB uma fatia do poder. O partido teria o direito, a princípio, de indicar o líder do governo no Congresso, além de nomear o diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), substituto do DNER. Para o lugar, o favorito é o ex-senador Mauro Miranda, do PMB de Goiás.
Com o PMDB no governo, a base governista ficaria com cerca de 340 votos na Câmara e 51 no Senado, mais do que suficientes para aprovar uma emenda constitucional, que depende de 308 votos de deputados e de 49 de senadores.
Genoino acha ainda que é preciso haver uma articulação mais concentrada de todos os programas sociais para que sejam dadas respostas mais imediatas à sociedade. O Fome Zero, o principal programa de combate à fome de Lula, que neste ano deverá investir R$ 5 bilhões (R$ 1,8 bilhão oriundo de projetos novos, como o cartão-alimentação, aplicado primeiramente em Acauã e Guaribas, no semi-árido do Piauí, e R$ 3,2 bilhões de projetos já existentes no governo anterior), deveria seguir paralelamente a outros, já em execução, disse Genoino.
Guerra - A partir da semana que vem, o governo do presidente Lula e o PT deverão aumentar sua mobilização contrária à guerra e favorável à paz. De acordo com Genoino, o PT vai para a televisão e o rádio pregar a paz e condenar a guerra. Ao mesmo tempo, o governo de Lula participará de articulações diplomáticas a favor da paz. Além de usar os meios de comunicação para condenar a guerra, o PT fará também atos públicos contrários a um eventual ataque dos Estados Unidos ao Iraque.

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