Genoino passa mal e é atendido por médico particular em presídio
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segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Das Agências 
São Paulo - O ex-presidente do PT José Genoino passou por cuidados médicos na primeira noite no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde estão presos nove condenados no processo do mensalão.
Preocupados com sua saúde, a mulher Ryoko e os filhos Ronan, Miruna e Mariana viajaram à capital federal e solicitaram a visita de um médico particular para examinar o petista.
Por volta das duas horas da madrugada de ontem, o médico chegou à pequena cela na ala federal da penitenciária e constatou que Genoino estava com a pressão alta e bastante pálido, segundo relato de familiares.
Após uma hora e meia de consulta, o ex-presidente do PT, mais calmo e com a pressão controlada por medicamentos, conseguiu dormir por pelo menos três horas.
Dentro da cela, Genoino tem se dedicado à leitura e ao repouso, de recomendação médica. A primeira refeição foi o café da manhã de ontem - pão com manteiga e café.
Até a terça-feira, Genoino não poderá receber visita e nenhuma encomenda da família. Terá contato apenas com seus advogados.
Desde que se apresentou à sede da Polícia Federal em São Paulo, na sexta-feira, Genoino está ofegante e bastante agitado. Na primeira noite em que passou preso na capital paulista, o petista não dormiu. Preferiu assistir TV e ler a biografia de Getúlio Vargas, de Lira Neto, que ganhou do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu ainda naquela noite.
Antes de ser transferido para Brasília, na tarde de anteontem, o ex-presidente do PT foi examinado por um médico da PF, que emitiu laudo informando que ele tinha plenas condições de fazer a viagem, que teria uma parada em Belo Horizonte.
Antes de chegar à capital mineira, onde embarcaram mais sete presos, entre eles o empresário Marcos Valério, Genoino se sentiu mal. Quando a aeronave pousou em BH, uma ambulância ficou estacionada na pista enquanto ele era medicado.
Segundo os advogados de Genoino, o mandando de prisão expedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, é "impreciso".
"É um grande constrangimento os presos terem que cumprir regime mais rigoroso do que está imposto para eles, principalmente no caso do Genoino, que não está bem de saúde", afirmou o coordenador do setorial jurídico do PT e um dos advogados que acompanha o petista, Marco Aurélio de Carvalho.
A defesa de Genoino já entrou com pedido na Justiça para que o regime semiaberto seja cumprido imediatamente. No entanto, todos os atos de execução das penas estão submetidos a Joaquim Barbosa, que ainda não se manifestou sobre a petição.
Após a inesperada fuga para a Europa de Henrique Pizzolato, técnicos da área Internacional do Ministério da Justiça começam amanhã a traçar uma estratégia para pedir formalmente à Itália a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por envolvimento com o escândalo do mensalão. Pizzolato teria deixado o Brasil há 45 dias. Numa carta divulgada neste final de semana, ele disse que o julgamento teve "nítido caráter de exceção".
Além do Ministério da Justiça, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que é o encarregado da acusação no processo do mensalão, deverá encaminhar nesta segunda-feira um pedido de providências ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Pizzolato. Os detalhes desse pedido não foram revelados ontem.
No Ministério da Justiça, o caso será analisado pela equipe do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. A tarefa é considerada árdua e de difícil solução. O principal obstáculo é o fato de Pizzolato ter cidadania italiana. A Itália não costuma extraditar seus nacionais. No Brasil, há proibição constitucional de extradição nesse caso.
Outro empecilho, de ordem diplomática, decorre da decisão tomada pelo governo federal, em 2009, de não entregar para a Itália Cesare Battisti, ativista de extrema esquerda que integrou o movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) na década de 70.


