Brasília - O ex-deputado José Genoino (PT-SP) foi nomeado ontem assessor especial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em ato assinado pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Genoino tomará posse na semana que vem. Ele disse que ficará diretamente sob comando do ministro Jobim.
Ex-deputado, Genoino é mais um derrotado nas eleições passadas a ser aproveitado em cargos do segundo e terceiro escalões do governo. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff havia iniciado a acomodação de peemedebistas que estão nas mesmas condições.
Deputado de 1982 a 2002 e de 2006 a 2010, Genoino aposentou-se pela Câmara com pensão de 20,3 mil. No cargo que terá no Ministério da Defesa ele receberá R$ 8.988. Somadas, as duas partes do vencimento chegam a R$ 29.288. Como o teto salarial é de R$ 26.723,13 - o salário do deputado federal -, ele terá uma redução de R$ 2.564,87 em seus proventos mensais.
Em 2003, Genoino assumiu a presidência do PT. Em 2005 o partido protagonizou o maior escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva - o mensalão. Afastado da direção do PT por causa do escândalo, Genoino tornou-se réu no mensalão, processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
Genoino disse que se considera preparado para assumir o cargo de assessor especial do ministro da Defesa. ''Minha relação com o ministro Jobim sempre foi de respeito e amizade e vem desde a Constituinte, quando atuamos juntos. Como deputado federal, participei de todos os estudos sobre a Defesa, da lei complementar e da elaboração dos documentos próprios sobre o tema'', disse ele. ''Vou ser um servidor do governo sob as ordens do ministro'', afirmou ainda.
Genoino disse que não tratará de assuntos como a polêmica ''Comissão da Verdade'' - prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos e que visaria a fazer uma reconstituição histórica do período da ditadura militar, com a investigação da tortura a presos políticos - porque essa é uma função que deve ser exercida pelos três ministros da área envolvida - Defesa, Justiça e Direitos Humanos.
Genoino participou da Guerrilha do Araguaia, movimento armado sob o comando do PC do B que ocorreu entre o final da década de 1960 e meados de 1970 no território goiano hoje pertencente ao Tocantins e no Pará. Foi preso em 1972 e ficou por cinco anos na prisão, período durante o qual foi submetido a torturas. Mas a prisão acabou por livrá-lo da morte quase certa, o destino dos outros guerrilheiros do Araguaia, muitos dos quais nunca tiveram os corpos encontrados.

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