O dia de protesto de professores e bancários acabou ontem se transformando em um mini-comício do candidato petista Ângelo Vanhoni, na Boca Maldita, em Curitiba. A presença do deputado José Genoino (PT-SP) e de parlamentares estaduais da oposição substituiu as reivindicações. No lugar das críticas à privatização do Banestado e à quebra de acordo entre professores e governo estadual, os discursos foram contra o prefeito Cassio Taniguchi e o governador Jaime Lerner, ambos do PFL.
‘‘Curitiba, Londrina e Maringá estão cansadas de pessoas como Collor, Lerner e Afif’’, disse o deputado José Genoino, referindo-se aos resultados das eleições presidenciais e a estadual, com boas votações para Lerner, Guilherme Afif Domingos (PL) e Fernando Collor de Mello (PRTN). O deputado paulista, que ontem também passou por Maringá, provocou os 250 manifestantes a criticarem o prefeito e o governador.
‘‘Aqueles que pregavam uma campanha limpa e sem baixaria, agora estão com medo e atacando com boatos e jornais apócrifos’’, afirmou o deputado, que subiu num carro de som para discursar. ‘‘Não vamos ser nós que começaremos com a baixaria, mas não vamos deixar de responder nenhuma das críticas’’, disse. Após o discurso, Genoino saiu para caminhar no Calçadão da Rua XV, acompanhado dos deputados estaduais Orlando Pessutti, Caíto Quintana e Waldyr Pugliesi, todos do PMDB.
O deputado federal disse que na sexta-feira deverá estar em Curitiba o também deputado federal Aloísio Mercadante (PT-SP). ‘‘Ele grava uma participação para o programa de Vanhoni’’, afirmou. Ele acrescentou que as estrelas do PT não pretendem interferir no direcionamento das campanhas dos candidatos petistas no Paraná.
O presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), Romeu Miranda, disse que era natural que o protesto ganhasse conotação política. ‘‘A presença de políticos importantes e a insatisfação dos professores faz com que a categoria apóie determinada candidatura em seu protesto’’, disse.
Os professores tinham agendado um ato também na Assembléia Legislativa, mas o protesto foi transferido para a Boca Maldita, por causa da morte do ex-governador Ney Braga. ‘‘No dia 24 faremos novo protesto, já que o governo não atendeu as nossas reivindicações’’, disse. A APP pede pagamento da hora-atividade, eleição direta para diretores de escolas e o fim do projeto que prevê, de acordo com o sindicato, demissão de 3,2 mil funcionários e professores.

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