São Paulo - Apesar do esforço do Campo Majoritário, ala que comanda o partido, José Genoino deixou ontem a presidência do PT. A detenção de José Adalberto Vieira da Silva, assessor do deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE), irmão de Genoino, com R$ 437 mil em notas, na sexta-feira, foi o estopim para a sua saída.
Ontem, na abertura da reunião do Diretório Nacional, em São Paulo, Genoino pediu seu afastamento do cargo, o que foi imediatamente acatado. Segundo relatos de petistas presentes ao encontro, a situação ficara insustentável e chegara a hora de cortar ''amigos''. Houve choro e palavras de solidariedade ao agora ex-presidente da legenda.
''Deixo o partido com o sentido de dever cumprido'', afirmou o ex-presidente da legenda, em um depoimento de oito minutos à imprensa, cercado pela cúpula do partido, como Aloizio Mercadante, Arlindo Chinaglia e José Dirceu. ''Vamos dar a volta por cima'', declarou Genoino, esclarecendo que sua saída poderia fortalecer a unidade do partido e preservar a governabilidade do presidente Lula.
''Reconheço que não tenho a maioria do Diretório, por isso estou me afastando. Eu entrego o cargo de presidente do PT ao Diretório Nacional. Peço uma licença. Existem valores que estão acima das nossas carreiras e das nossas personalidades'', disse. ''O PT é um partido pluralista. Tenho que colocar minhas pretensões e minhas opções em segundo plano e em segundo lugar''.
''Foi uma decisão lúcida. Não há prova de nenhuma culpa dele. Pelo contrário, Genoino está à disposição para esclarecer tudo o que está acontecendo'', afirmou o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP).
Genoino presidia o PT havia 30 meses e era tido como um dirigente próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última segunda-feira, chegou a chorar durante entrevista ao programa ''Roda Viva'', da TV Cultura.
Em uma semana, foi o terceiro membro da cúpula partidária a se afastar. Delúbio Soares e Silvio Pereira, que ocupavam os respectivos cargos de tesoureiro e secretário-geral do partido, também haviam se licenciado da legenda. Todos tiveram seus nomes envolvidos com o escandâlo do ''mensalão'', suposto pagamento de mesada a parlamentares da base aliada em troca de apoio ao governo. As denúncias foram feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que apontou o publicitário Marcos Valério como operador do pagamento.
Recentemente, descobriu-se que Valério tinha sido avalista de dois empréstimos para o PT, estabelecendo um elo entre a legenda e o publicitário.
''Certamente cometemos erros, mas não praticamos atos ilícitos. O PT não paga nem compra deputados'', afirmou Genoino. O subtituto dele na presidência do partido deve ser escolhido neste final de semana.

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