Genoíno critica equiparação da PM
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domingo, 27 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O deputado José Genoíno (PT-SP) previu ontem que o plenário da Câmara deve rejeitar o artigo que equipara as polícias militares e corpos de bombeiros às Forças Armadas, incluída pelo relator Werner Wanderer (PFL-PR) na proposta de emenda do Executivo que desvincula funcionalmente na Constituição os servidores civis dos militares. A matéria, relacionada na pauta de votação extraordinária do Congresso, foi aprovada na semana passada por 21 votos a dois, na Comissão Especial de Segurança da Câmara.
Apenas os deputados José Genoíno e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) votaram contra a proposta. Para Genoíno, a mudança, na prática, resultará na criação de um exército em cada estado. É ainda um risco para as Forças Armadas, que terão que conviver em condições de igualdade com um contingente bem superior ao seu, afirmou. De acordo com o relator, existem no País mais de 500 mil policiais militares.
Genoíno acredita no resultado das sondagens que fez junto aos líderes partidários. Eles anteciparam que tampouco concordam com essa equiparação. Chamei a atenção do líder do governo (o deputado Luis Eduardo Magalhães, do PFL baiano) e ele ficou de se pronunciar sobre o assunto, informou.
O deputado disse que vai ainda conversar com os ministros da Marinha, Exército e Aeronáutica, que assinam a exposição de motivos da emenda original do governo. A proposta é ainda apoiada pelo ministérios da Justiça e da Administração Federal.
Genoíno atribuiu o quórum alto obtido pela emenda na comissão ao lobby ostensivo feito pelos coronéis da PM. Eles assistiram a todas as reuniões fardados, lembrou. Foi um lobby pesado. Segundo ele, até mesmo integrantes das Forças Armadas com os quais conversou enquanto a emenda era discutida alertaram que os parlamentares teriam que fazer um acordo com os representantes das polícias militares, senão a emenda não andaria.
Para Genoíno, a modificação introduzida no texto da emenda pelo relator é um retrocesso, porque acentua o caráter militar e de força permanente das polícias militares. Concordo que as Forças Armadas sejam qualificadas como carreiras típicas da União, frisou. Mas a PM e a Polícia Civil devem ser uma força única, sob um único comando, sustentou.
Ele disse que não pretende com isso estimular a fusão das duas polícias, a civil e a militar, mas assegurar aos governadores a responsabilidade constitucional de um modelo que funcione. A PM deve trabalhar fardada na defesa da sociedade e não manter um preparo para a guerra, como é o caso das Forças Armadas, afirmou.
Outro problema provocado pela medida, segundo o deputado, ocorrerá se as PMs obtiverem nos estados reajustes salariais superiores aos das polícias civis. É uma irresponsabilidade total, afirmou. A inovação joga por água abaixo todas as tentativas de se criar no País um modelo para defesa do cidadão, alegou.
Genoíno chamou a atenção para o lado curioso da situação: o fato de ele e seus colegas do PT defenderem a aprovação, sem alteração, de uma emenda constitucional do governo e de se manifestarem contra qualquer tipo de alteração no texto.


