Agência Estado
De Brasília
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança, general Alberto Cardoso, disse ontem, durante seminário sobre lavagem de dinheiro, que o Brasil está passando rapidamente da condição de país de trânsito da droga à Europa e aos Estados Unidos para também país consumidor. Por este motivo, ele salientou a necessidade de direcionar as ações de combate ao narcotráfico para os interesses do País. Cardoso disse que o País não pode se transformar num ‘‘tanque de contenção da droga’’.
O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), criticou a política de combate às drogas desenvolvida pelos Estados Unidos, por priorizar a apuração e repressão às rotas internacionais do tráfico de drogas, em vez de visar à desmobilização dos esquemas de abastecimento do mercado de consumo interno. O general Alberto Cardoso, responsável pela segurança institucional do governo, concordou com o deputado Torgan sobre a prioridade ao mercado interno.
‘‘Toda vez que os EUA oferecem ajuda a um país para combater o tráfico, aquele país deixa de ser rota e vira mercado de consumo de drogas’’, disse o relator da CPI, citando como exemplos a Venezuela e Aruba. Neste último, há 2.000 viciados para apenas 100 mil habitantes, segundo dados do Parlamento Latino-Americano.
O secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovich, sugeriu que o combate à lavagem de dinheiro seja feito a partir de operações que ele chamou de ‘‘transnacionais’’ para impedir que os beneficiados retirem recursos ou mercadorias em outros países.
Maierovich acredita, ainda, que, a exemplo do que já foi feito nos Estados Unidos, a infiltração de agentes de inteligência e policiais em ações de lavagem poderá ajudar no combate ao crime. Em regiões de fronteira, ele defende a escuta ambiental pois, segundo assegurou, ‘‘todas as comunicações são feitas por rádio’’.

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