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Política 5m de leitura Atualizado em 11/01/2022, 20:08

Generais rejeitam crise da vacina e blindam comandante

O presidente Bolsonaro nega pressão por conta das diretrizes básicas para a pandemia da Covid anunciadas pelo comandante do Exército

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Vinicius Sassine/Folhapress
AUTOR autor do artigo

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O comandante-geral do Exército,  Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira: regras de vacinação na volta ao trabalho
O comandante-geral do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira: regras de vacinação na volta ao trabalho |  Foto: Gabriel Haesbaert/iShoot/Folhapress
 

Brasília - Generais que integram o Alto Comando do Exército rejeitam uma crise da vacina por causa das diretrizes básicas para a pandemia da Covid, tentam blindar o comandante-geral, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de desgaste e, com isso, buscam isolar o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Membros da cúpula da Força consideram que o incômodo do presidente com as regras de vacinação na volta ao trabalho presencial não provocou nem mesmo uma minicrise entre os militares e o governo. Esses oficiais, ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato, afirmam que o documento produzido por Oliveira foi uma peça burocrática, sem motivo para um novo capítulo de estremecimento das relações entre Bolsonaro e o comando da Força.

A cúpula do Exército atuou para blindar o comandante no episódio, após o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, entrar no circuito.​O comando da Força cogitou elaborar uma nota pública com esclarecimento sobre o documento elaborado por Oliveira. Ele estabelece diretrizes favoráveis a vacinação, uso de máscaras, distanciamento social e compartilhamento de informações corretas na atual fase da pandemia.

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Braga Netto foi o interlocutor das insatisfações do presidente, embora pessoas ligadas ao ministro afirmem que não houve exigência para a elaboração de uma nota pública. A ideia acabou sendo abortada, pelo menos até agora, diante da constatação de que um esclarecimento não se fazia necessário. Uma nota alimentaria uma crise que, na visão de generais do Alto Comando, não existia nem deveria existir.

Esses militares repisaram ao longo da sexta-feira (7) que as diretrizes do comandante do Exército eram administrativas e seguiam linha já adotada por seu antecessor no cargo, general Edson Leal Pujol, no ano anterior. As orientações são semelhantes no caso de uso de máscaras, distanciamento social sempre que possível e vedação do compartilhamento de fake news sobre a pandemia.

A inovação ocorre em relação à vacinação, pela razão óbvia de que a campanha de imunização deslanchou ao longo de 2021. Neste caso, ainda segundo a informação repisada na sexta, o comandante do Exército usou como base uma diretriz do próprio ministro da Defesa. Assim, se Bolsonaro fosse levar adiante a queixa contra o ato do Exército, deveria estendê-la a seu ministro da Defesa, conforme integrantes da Força.

No dia seguinte, o próprio Bolsonaro tornou público um encontro dele com o comandante do Exército. E disse não ter existido qualquer exigência de retificação ou explicação. "Não, exigência nenhuma. Não tem mudança. Pode esclarecer. Hoje [sábado, 8] tomei café com o comandante do Exército. Se ele quiser esclarecer, tudo bem, se ele não quiser, tá resolvido, não tenho que dar satisfação para ninguém de um ato como isso daí. É uma questão de interpretação", afirmou o presidente, em entrevista a jornalistas.

No exercício do cargo de comandante do Exército, Oliveira já atendeu a um interesse direto de Bolsonaro e Braga Netto. Ele aceitou a pressão dos dois e arquivou processo disciplinar aberto para apurar a manifestação política por parte do general da ativa Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. Pazuello subiu em um palanque com Bolsonaro em maio de 2021. Entre militares, há uma percepção de que o episódio relacionado às diretrizes para a pandemia indica uma tentativa de distanciamento do bolsonarismo, em um momento de enfraquecimento político do presidente.

Oliveira chegou ao cargo de comandante após a maior crise militar desde a década de 1970.  Para ampliar a influência nas Forças Armadas, Bolsonaro demitiu, em março de 2021, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e os três comandantes das Forças. Para o cargo de ministro, o presidente escolheu Braga Netto.

Nem a Aeronáutica nem a Marinha responderam à reportagem se os respectivos comandantes editaram diretrizes semelhantes às do Exército para a atual fase da pandemia.

O comandante do Exército condicionou o retorno de militares ao trabalho presencial à vacinação contra a Covid-19, mas deixou em aberto a possibilidade de "casos omissos sobre cobertura vacinal" serem analisados pelo DGP (Departamento Geral do Pessoal) da Força. O documento foi finalizado no dia 3 e tem 52 diretrizes a serem seguidas por órgãos de direção e comandos militares de área.

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