Brasília - Ao receber apoio dos líderes dos partidos da base aliada na Câmara, em reunião no Palácio do Planalto, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, se emocionou e chorou nessa terça-feira (22). Ele dava explicações aos deputados sobre as acusações feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de que fez tráfico de influência para tentar conseguir liberar um empreendimento em Salvador, onde comprou um apartamento na planta. Geddel, depois de ouvir desagravo público dos líderes a seu favor, agradeceu o apoio de todos e contou que "herdou de seu pai", o ex-deputado Afrísio Vieira Lima, "este jeito despachado que tem".

O ministro Geddel está sendo investigado pela Comissão de Ética Pública da Presidência e não quer mais falar sobre o tema alegando que "esse assunto está encerrado". "Peço que me respeitem", declarou, ao voltar de uma reunião com o presidente Michel Temer, para a qual foi convocado, interrompendo o encontro com os líderes, por causa de uma manifestação de índios que ocorria em frente ao Palácio do Planalto.

O líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), ao relatar a emoção do ministro lembrou "que este é o jeito dele". "Ele é assim mesmo. Ele chora e chorou ao falar do pai (que morreu no início do ano)", comentou o deputado.

Mais tarde, om grupo de 17 parlamentares composto por líderes e outros deputados entregou um manifesto em apoio a Geddel Vieira Lima. O documento foi entregue pelo líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), que reconheceu o esforço e a importância do trabalho desenvolvido pelo político.

Moura lembrou das vitórias conquistadas pelo atual governo e que tiveram participação direta do ministro. Também presente na cerimônia, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) exaltou a capacidade política de Geddel e o classificou como "articulador da melhor qualidade". Após receber o documento, o ministro agradeceu o apoio dos parlamentares. "Vamos trabalhar porque o Congresso nos espera", disse.

O deputado Jovair Arantes (GO), que é líder do PTB, abriu a reunião defendendo o ministro e os demais presentes endossaram o teor do discurso. Pauderney reconheceu que o ministro errou ao levar ao governo federal um tema "pequeno", "paroquial", mas justificou que "todos somos falíveis". Para Pauderney, Geddel cometeu uma "falha humana" ao "tratar de um assunto que não caberia", mas destacou que "é preciso passar por cima disso e pensar nos grandes problemas nacionais, ainda mais que o pedido (para interceder na manutenção da obra) não foi aceito".

Pauderney reconheceu que o comportamento de Geddel "não foi adequado", mas minimizou dizendo que "temos problemas enormes no País para resolver". O parlamentar amazonense disse ainda que Geddel deu explicações e todos entenderam. Para ele, houve uma "interpretação de forma equivocada" por Calero. Pauderney afirmou ainda que conversou com o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Neto, sobre o assunto e este lhe assegurou que "não há nenhum problema com o empreendimento".

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