Gays lançam 15 candidatos e quatro são do Paraná
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quatro dos 15 candidatos homossexuais apoiados pelo movimento gay brasileiro para concorrer às eleições municipais deste ano são do Paraná. O movimento está apoiando o lançamento de 14 candidatos a vereador e um a vice-prefeito. Eles disputarão o pleito em 14 cidades de nove estados. No Paraná estão concorrendo os candidatos Roberto Kaiser (PV), Allan Johan (PSB) e Eliziane Newton (PSB). Todos concorrem a uma vaga na Câmara de Curitiba. O candidato Otair Luiz dos Santos (PT) disputa uma vaga de vereador em Ponta Grossa.
O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antiga entidade do gênero do Brasil, Marcelo Cerqueira, candidato do PV a vereador em Salvador, alega que os gays são o que existe de novo nas eleições deste ano. ''Há uma descrença do eleitor nos candidatos tradicionais. Nós somos ativistas do movimento social com ampla folha de serviços prestados à sociedade não só para a comunidade gay'', disse, acrescentando que os homossexuais também não têm os vícios políticos dos candidatos tradicionais.
Otair dos Santos, 44 anos, concorre pela quarta vez a um cargo eletivo e agora acredita que tem grande chance de ser eleito. Para ele, o apoio do movimento gay brasileiro é um avanço para enfrentar o preconceito das bancadas evangélicas que estão crescendo e discriminando os homossexuais.
Santos considera que já está na hora das várias formas de diversidade humana terem representatividade no Parlamento, e nada melhor do que enfrentar uma campanha eleitoral com a bandeira do homossexualismo. Salientou, porém, que o seu trabalho será voltado a toda a comunidade. Otair é funcionário público estadual e milita no trabalho com as comunidades há muito tempo. Também atua no grupo Renascer, uma organização não-governamental (ONG), de Ponta Grossa, de prevenção à Aids.
O candidato Roberto Kaiser (PV), 44 anos, está se candidatando pela primeira vez a um cargo de vereador. Kaiser é funcionário aposentado do antigo Banestado e milita no trabalho social em defesa das minorias há mais de oito anos em Curitiba. ''O problema do homossexual é que ele tem vergonha de assumir que é gay e a autodiscriminação é o pior preconceito que pode acontecer para as minorias'', justificou Kaiser.
De acordo com Marcelo Cerqueira, a última assembléia da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros realizada em Curitiba incentivou o lançamento de candidatos em todos os estados brasileiros por entender que 10% da população do País é formada por homossexuais. (Com Biaggio Talento, da Agência Estado)


